Recuperação da estrutura de petróleo e gás no Oriente Médio pode levar anos – ClimaInfo
Um relatório da consultoria Rystad Energy indica que os custos de reparação das infraestruturas de petróleo e gás fóssil no Oriente Médio danificadas pelo ataque dos EUA e de Israel ao Irã podem chegar a US$ 25 bilhões (R$ 131 bilhões) até o momento. A restauração de algumas instalações pode levar meses ou até mesmo anos – o que deverá comprometer o fornecimento de combustíveis fósseis dessa região.
Segundo a análise, o conflito, que afetou o fornecimento global de combustíveis fósseis e disparou os preços do petróleo e do gás, atingiu unidades de gás liquefeito (GNL), refinarias, terminais de combustíveis e instalações de transformação de gás em líquidos na região do Golfo Pérsico.
“A recuperação da região será definida menos pelo capital financeiro e mais por restrições estruturais”, disse Audun Martinsen, chefe de investigação da cadeia de abastecimento da Rystad Energy, ao Down To Earth. “Embora alguns ativos possam ser restaurados em meses, outros podem permanecer offline por anos.”
É o caso da cidade industrial de Ras Laffan, no Catar, uma das mais atingidas. A destruição de duas unidades de GNL reduziu em 17% a capacidade anual de produção, equivalente a cerca de 12,8 milhões de toneladas por ano (Mtpa). A recuperação poderá levar até cinco anos, devido ao fornecimento global limitado das principais turbinas a gás, que já enfrentam atrasos de dois a quatro anos na produção.
O campo de gás de South Pars, no Irã, também é outro caso preocupante. Com a exclusão legal do país das cadeias de abastecimento ocidentais, o Irã terá que contar com a ajuda de empreiteiros chineses e nacionais – uma abordagem viável, porém mais lenta e mais custosa.
No Bahrein, a refinaria BAPCO Sitra foi atingida duas vezes, danificando importantes unidades de processamento e forçando a paralisação das operações. Recentemente, a BAPCO Sitra recebeu um programa de modernização avaliado em US$ 7 bilhões (R$ 36 bilhões). Nos Emirados Árabes Unidos, no Kuwait, no Iraque e na Arábia Saudita também houve perturbações, porém mais moderadas, destacam Oil&Gas Middle East e E&E News.
De acordo com o relatório da Rystad, para enfrentar os desafios, será necessário planejamento estratégico e colaboração entre governos, empresas privadas e parceiros internacionais.








