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October 5, 2026
Clima

Recorde de calor expôs mais da metade da Europa a estresse térmico muito forte – ClimaInfo

  • Outubro 5, 2026
  • 3 min read
Recorde de calor expôs mais da metade da Europa a estresse térmico muito forte – ClimaInfo

O calor escaldante que assolou persistentemente a Europa Ocidental no verão do Hemisfério Norte de 2026 foi o mais intenso já registrado. Mais da metade do continente europeu — 52%, precisamente — foi atingida por um estresse térmico muito forte, com sensação térmica superior a 38°C.

É o que mostra uma atualização do Copernicus, serviço de monitoramento climático da União Europeia, publicada na 6ª feira (2/10). A análise mostra que, de junho a agosto, as temperaturas do ar à superfície na Europa Ocidental estiveram 2,5°C acima da média da última década. No restante do continente, um calor mais ameno, mas ainda mortal, fez do verão de 2026 o terceiro mais quente já registrado na Europa, destaca o Guardian.

Segundo o Copernicus, quase 80% do continente sofreu estresse térmico “forte”, ou seja, com sensação térmica de 32°C. Por outro lado, em 2026 foram registrados 17 dias em que pelo menos 60% da Europa Ocidental registrou temperaturas acima de 30°C, ante 11 dias em 2003 e 7 em 2025, detalha a RFI.

Houve outras consequências históricas em vastas áreas do continente, destaca Samantha Burgess, cientista climática do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, que administra o Copernicus. Simultaneamente às ondas de calor, houve secas generalizadas, rios excepcionalmente baixos e temperaturas marinhas anormalmente elevadas. Alguns dos principais rios europeus, entre os quais o Reno, o Danúbio, o Loire e o Ródano, registraram níveis abaixo dos mínimos históricos, o que perturbou o transporte de mercadorias, bem como a produção de energia nuclear e hidrelétrica.

A Europa é o continente que mais rapidamente tem se aquecido e enfrentado uma sequência quase incessante de ondas de calor associadas às mudanças climáticas, lembra O Globo. Os episódios de calor começaram excepcionalmente cedo na primavera, quebraram recordes de temperatura e provocaram dezenas de milhares de mortes adicionais.

“Depois do verão que acabamos de ter, há pouco de novo a dizer”, afirmou Xavier Rodó, que dirige o programa de clima e saúde do ISGlobal, um instituto de pesquisa espanhol. “Este aumento no número e na intensidade de eventos climáticos extremos é claramente indicativo de mudanças sem precedentes no clima europeu, já que muitos recordes foram quebrados, não apenas localmente, mas também regional e continentalmente”, completou.

Reuters e Le Monde também repercutiram a nova análise do Copernicus.

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Celia Mello

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