Primeiro leilão de baterias do país tem mais de 6 mil projetos cadastrados – ClimaInfo
4 de agosto de 2026

Resumo
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) informou que 6.091 projetos se cadastraram para o 1º leilão do país que contratará sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, sigla em Inglês). Os projetos somam 297 gigawatts (GW) de potência – quase 150 vezes a demanda estimada para a concorrência, de 2 GW. Segundo a EPE, é um recorde de participação para certames do setor elétrico brasileiro.
O leilão foi dividido em dois. O primeiro (LRCAP de 2026 – Armazenamento Nacional) se destina a projetos com conteúdo nacional – peças e equipamentos fabricados no país – e acontecerá no dia 2 de dezembro. O outro (LRCAP de 2026 – Armazenamento) é voltado a empreendimentos que não cumprem essa exigência e será realizado dois dias depois, em 4 de dezembro.
Para o primeiro certame, a EPE cadastrou 5.296 projetos, somando 261 GW de potência. Já o segundo teve 5.734 projetos cadastrados, totalizando 281 GW, detalha a eixos. Segundo a EPE, 4.939 projetos se cadastraram simultaneamente nas duas modalidades. Por isso, embora os leilões tenham recebido mais de 11 mil inscrições, o número total consolidado de empreendimentos é menor, explica o Canal Solar.
Ainda de acordo com a estatal, o Nordeste concentra 71% da potência inscrita. Projetos a serem instalados na região e em Minas Gerais – que hoje concentram a maior parte das gerações solar e eólica do Brasil e têm o maior potencial para a expansão da produção por essas fontes – serão priorizados nos certames. Bem atrás vem Sudeste (18%), Sul (5%), Centro-Oeste (3,4%) e Norte (1,6%).
O volume de projetos cadastrados comprova o grande interesse do mercado na implantação de BESS no setor elétrico brasileiro, destaca a EPE. A empresa reforça o papel estratégico da tecnologia para ampliar a flexibilidade operativa do sistema elétrico, apoiar a integração de fontes renováveis e atender às necessidades futuras de potência do Sistema Interligado Nacional (SIN), a rede básica do país.
No entanto, a EPE ressalta que o cadastro não garante participação. Os projetos passarão agora pelas etapas de análise e habilitação técnica. “Somente a partir da habilitação serão conhecidas a quantidade de projetos, e consequentemente a potência, aptos a participar das fases subsequentes dos leilões”, explicou a estatal, em nota.
Os leilões negociarão contratos de disponibilidade de potência das baterias, em megawatts (MW), com prazo de suprimento de 15 anos e início em 1º de agosto de 2028. Os projetos serão remunerados por uma receita fixa anual reajustada pelo IPCA, paga em 12 parcelas mensais.
Poder 360, Terra, Brasil 247, Estadão, Valor e InfoMoney também noticiaram as novidades sobre o leilão de baterias.
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Em tempo: Os sistemas de armazenamento resolvem boa parte das limitações das fontes eólica e solar, garantindo energia renovável 24 horas por dia, sete dias por semana. No entanto, os governos estaduais preferem defender um “jabuti” (matéria estranha ao tema) em um projeto de lei que obriga a contratação de termelétricas a combustíveis fósseis e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Segundo o Poder 360, o Fórum dos Secretários Estaduais de Energia pediu ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que seja colocado em votação o texto substitutivo do PL nº 5.017/2019. O PL trata de descontos nas tarifas de eletricidade para irrigação e aquicultura, bem como para poços semiartesianos de água para abastecimento humano, mas o substitutivo incluiu a contratação compulsória de termelétricas a gás fóssil – inclusive na Amazônia – e de PCHs. Segundo cálculos da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (ABRACE), esse “jabuti” pode custar R$ 1,3 trilhão nas contas de luz da população em 30 anos.
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