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September 15, 2026
Clima

Pressão dos EUA faz bancos de desenvolvimento abandonarem metas de financiamento climático – ClimaInfo

  • Setembro 15, 2026
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Pressão dos EUA faz bancos de desenvolvimento abandonarem metas de financiamento climático – ClimaInfo

A pressão do governo negacionista de Donald Trump sobre bancos multilaterais de desenvolvimento para acabar com as metas de financiamento climático deve reduzir ainda mais a oferta de recursos para mitigação e adaptação aos países em desenvolvimento. Segundo o Financial Times, em matéria traduzida pela Folha, duas instituições regionais — o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB) — discutem seguir o exemplo do Banco Mundial e abandonar seus planos de financiamento climático.

Em junho, o Banco Mundial anunciou o fim de sua meta de destinar 45% dos recursos anuais emprestados a projetos com benefícios climáticos associados. A mudança foi impulsionada pelos EUA, o maior acionista da instituição, que argumentaram que políticas específicas de financiamento para ação climática gerariam “ineficiência” e “distorções” econômicas.

A ofensiva do “agente laranja” contra o financiamento climático internacional está agora mirando os bancos regionais, especialmente os que contam com contribuição financeira de Washington, como o BID. “É provável que todos os bancos multilaterais de desenvolvimento com grande participação acionária dos EUA abandonem suas metas”, afirmou um funcionário do setor de financiamento para o desenvolvimento.

O possível recuo do BID e do ADB coloca em xeque a meta global de financiamento climático, firmada em 2024 na COP29 (em Baku, Azerbaijão), de fornecer anualmente US$ 1,3 trilhão (R$ 6,7 trilhões) até 2035. O financiamento por bancos de desenvolvimento é parte crucial desse objetivo, e o abandono de políticas específicas para o clima por parte dessas instituições deve intensificar o mal-estar e a desconfiança dos países em desenvolvimento.

Um levantamento do Banco Europeu de Investimento (EIB) indicou que os bancos multilaterais de desenvolvimento destinaram US$ 103 bilhões (R$ 529,4 bilhões) a projetos de ação climática em países em desenvolvimento em 2025 — o valor total, considerando todos os países, atingiu um recorde de US$ 162,5 bilhões (R$ 835,2 bilhões). Nos últimos cinco anos, o financiamento climático de bancos de desenvolvimento para países de renda média e baixa dobrou.

Especialistas têm outra preocupação. O fim dos objetivos climáticos dos bancos multilaterais de desenvolvimento pode dar margem para que outras economias desenvolvidas, como o Reino Unido e a Alemanha, façam novos cortes em seus orçamentos para o financiamento climático.

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Celia Mello

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