Pré-COP31: novo fundo pretende ajudar pequenos países insulares em adaptação climática – ClimaInfo
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Líderes de pequenas nações-ilha do Pacífico reforçam a cobrança por mais apoio financeiro para a adaptação em cúpula pré-conferência do clima.
7 de outubro de 2026

Resumo
A Pré-COP, que termina nesta 5ª feira (8/10) em Fiji, serviu de palco para os pequenos países insulares em desenvolvimento do Pacífico reafirmarem sua reivindicação histórica de mais apoio financeiro dos países desenvolvidos para se adaptarem aos efeitos das mudanças climáticas. Um novo fundo, criado fora do âmbito das negociações climáticas da ONU, pretende ajudar a destravar a alocação de recursos para esses territórios.
Segundo a Reuters, o Fundo de Resiliência do Pacífico, que pertence aos governos insulares da região, obteve novas promessas de doação de US$ 15 milhões (R$ 75,3 milhões) na Pré-COP, elevando sua capitalização para pouco menos de US$ 200 milhões (R$ 1 trilhão). A ideia é que esse fundo consiga novas contribuições durante a COP31, no mês que vem em Antália (Turquia), com vistas a chegar a US$ 500 milhões (R$ 2,5 trilhões) depois do encontro.
As novas doações foram prometidas por Fiji, Irlanda, Países Baixos e Dinamarca. Do total obtido pelo fundo até agora, cerca de metade veio dos próprios governos das ilhas do Pacífico, da Nova Zelândia e da Austrália. “É preciso fazer mais agora. Cada investimento feito agora fará a diferença e significará custos menores de remediação amanhã e no futuro”, afirmou o primeiro-ministro australiano Anthony Albanese.
A Austrália, que preside as negociações na COP31, também aproveitou a Pré-COP para reforçar seu compromisso climático com seus vizinhos no Pacífico. O governo anunciou novos recursos para financiar projetos de adaptação da infraestrutura viária e de comunicações nas ilhas, no valor de cerca de US$ 2 milhões (R$ 10 milhões), informam Swissinfo e O Globo.
Apesar das doações, as pequenas nações-ilha do Pacífico ressaltaram que ainda há muito a ser feito pelos países desenvolvidos para apoiá-las em seus esforços de adaptação. Para as nações insulares, a crise climática é uma ameaça existencial, especialmente nas ilhas mais baixas, que deverão ser engolidas pelo oceano devido à elevação do nível do mar.
“Parte do nosso apelo à COP31 é que a atual estrutura financeira seja reestruturada e simplificada. É frustrante. Somos os que menos emitem gases de efeito estufa no Pacífico, e ainda assim somos os mais afetados de forma desproporcional”, lembrou a ministra do clima de Fiji, Lynda Tabuya, à AFP.
Além de mais financiamento, as pequenas nações insulares do Pacífico redobraram seu apelo para que as grandes economias mantenham viva a meta de limitar o aquecimento global a 1,5oC, como definido pelo Acordo de Paris. Uma elevação da temperatura global acima disso pode significar o desaparecimento literal de países inteiros.
“A maré que chega às nossas casas, o recife pálido que nossas avós já não reconhecem, as aldeias para as quais já tivemos que nos mudar. Ultrapassar [a meta de 1,5oC] não é um veredicto que aceitamos passivamente. Manter o nível de segurança de 1,5oC é a principal obrigação legal e o dever que estamos aqui para cumprir”, ressaltou Tabuya, citada pela Reuters.
Os líderes presentes em Fiji lançaram na 3ª feira (6/10) a Declaração de Taku Pakasoa. Como a Exame assinala, o documento coloca no centro do combate à crise climática uma preocupação cada vez mais concreta dos pequenos países insulares: o futuro de sua soberania em um cenário de avanço do nível do mar sobre seus territórios.
Assim, as nações-ilha cobram a manutenção de sua condição de Estado, de sua soberania e de suas zonas marinhas, já estabelecidas pelo Direito Internacional. O texto também reforça as reivindicações de financiamento climático para o Pacífico, em especial para adaptação e resiliência climática, destacam ABC Australia, AFP e Climate Home.
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