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April 16, 2026
Clima

Petróleo sobe com possível bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz – ClimaInfo

  • Abril 13, 2026
  • 5 min read
Petróleo sobe com possível bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz – ClimaInfo

13 de abril de 2026

Un pozo petrolero en Midland, Estados Unidos, en una fotografía de archivo.
EFE/Larry W. Smith

Enquanto representantes de Estados Unidos e Irã se encontravam no Paquistão no final de semana para tentar encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro, Donald Trump soltou mais uma bravata: os EUA é que passariam a bloquear o Estreito de Ormuz, impedindo a passagem de qualquer navio, inclusive dos autorizados pelos iranianos. Resultado: o petróleo, que tinha caído mais de 12% na semana passada, lembra o Valor, disparou, superando novamente os US$ 100. Mesmo recuando, fechou a 2ª feira (13/4) em alta. Mais dor no bolso das populações em todo o mundo e alegria para petrolíferas e especuladores.

No fechamento da sessão de ontem, o petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em junho teve alta de 4,36%, para US$ 99,36 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). Já o WTI (referência estadunidense), com entrega prevista para maio, subiu 2,6% para US$ 99,08 por barril na New York Mercantile Exchange (Nymex), detalha o Valor.

Por volta das 8h (horário de Brasília), o Brent para entrega em junho subia 6,93%, a US$ 102,06 por barril, enquanto o WTI para maio avançava 7,53%, a US$ 103,84, informa o Valor. Uma reação à fala estúpida de Trump, aliada à reação da Guarda Revolucionária do Irã, que afirmou que qualquer aproximação de embarcações militares à rota – por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial – seria considerada uma violação do cessar-fogo e tratada de forma severa e decisiva.

Enquanto Trump brinca de Deus – literalmente, com uma postagem em que, usando IA, aparece como Jesus Cristo -, o aumento dos custos com o choque do petróleo afeta pessoas nos quatro cantos do planeta, relata a Reuters. Nos EUA, os motoristas estão reduzindo o uso de veículos, já que os preços da gasolina e do diesel estão nos níveis mais altos desde 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

A Arábia Saudita afirmou que as vendas de petróleo bruto para a China devem cair em maio. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que os Estados-membros devem coordenar os preços da energia em meio a um aumento de US$ 25,70 bilhões (R$ 128,4 bilhões) nas contas de combustíveis fósseis desde o início da guerra, detalha a Bloomberg.

Mais países anunciaram medidas de apoio de emergência para combater o aumento dos custos provocado pela alta dos combustíveis fósseis. Já a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) reduziu sua previsão da demanda mundial de petróleo para o segundo trimestre em 500.000 barris por dia, segundo a Reuters.

  • Em tempo 1: Mesmo antes da crise do petróleo provocada pelos ataques ao Irão feitos por EUA e Israel, quase 50 países já tinham algum planejamento para eliminar os combustíveis fósseis do setor energético. É o que mostra um estudo do IISD (Canadá), com participação de E3G (Reino Unido), Ecco (Itália), Sefia (Turquia) e Observatório do Clima (Brasil), destacado por Bruno Toledo, especialista em política climática internacional do ClimaInfo, em análise no BackChannel. “Essas experiências demonstram que os caminhos de transição estão sendo moldados dentro dos sistemas políticos e econômicos nacionais – e não apenas por meio de negociações internacionais. Isso é positivo. Os países precisam se apropriar dessa transição e, somente por meio de mudanças nacionais, ela terá a legitimidade necessária perante o eleitorado e os cidadãos”, frisa Toledo.

  • Em tempo 2: Bruno Toledo, do ClimaInfo, reforça que, para os países pobres, um melhor acesso a financiamento de baixo custo é indispensável para a transição energética, “mas os instrumentos existentes ainda não conseguem proporcioná-lo em larga escala e com legitimidade”. Uma situação que piorou com Donald Trump no comando dos EUA e sua agenda anticlimática. Por causa da pressão do “agente laranja”, nações em desenvolvimento enfrentam o possível arquivamento de seu crucial plano de ação verde nas reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, que ocorrem nesta semana, lembra Fiona Harvey no Guardian.

  • Em tempo 3: Enquanto as pessoas sofrem com o choque do petróleo, a indústria petrolífera do Canadá tenta lucrar com a guerra no Oriente Médio, informa ((o))eco. Investidores canadenses do setor de petróleo estão entusiasmados, chamando o conflito de uma “grande oportunidade” para as empresas de combustíveis fósseis do país. Os ganhos, porém, não se restringem aos canadenses. Produtores de petróleo fora da região do Golfo Pérsico colhem lucros extraordinários, enquanto tentam conter o entusiasmo em público. “A ideia de que a indústria lucra com guerra e morte não é algo que um vice-presidente de relações públicas queira promover”, disse Mark Jones, pesquisador de ciência política do Baker Institute da Universidade Rice.

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Celia Mello

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