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October 1, 2026
Clima

Petrobras fecha contrato para comprar gás fóssil dos EUA por mais de 20 anos – ClimaInfo

  • Outubro 1, 2026
  • 3 min read
Petrobras fecha contrato para comprar gás fóssil dos EUA por mais de 20 anos – ClimaInfo

Todos os dias, cientistas em todo o mundo destacam a urgência de se substituir os combustíveis fósseis por fontes renováveis de energia para se reverter a crise climática. O alerta, porém, passa longe dos ouvidos do atual comando da Petrobras. Este não só atua para expandir a exploração de petróleo e gás, inclusive em áreas de altíssima sensibilidade ambiental como a Foz do Amazonas, como também firma contratos de longuíssimo prazo para comprar combustíveis fósseis, mesmo diante da perspectiva de queda na demanda a partir de 2030.

Na 3ª feira (29/9), a estatal brasileira anunciou o fechamento de um contrato de 22 anos para comprar gás fóssil liquefeito (conhecido como GNL) da Cheniere Energy, uma das maiores produtoras e exportadoras de GNL dos Estados Unidos. O acordo prevê a compra anual de 800 mil toneladas do produto, o que equivale a 2,8 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) de gás.

O acordo com a Cheniere é o segundo contrato de longo prazo de GNL fechado pela Petrobras em cerca de um mês, lembram Exame e eixos, ambos com empresas dos EUA. No fim de agosto, a estatal brasileira anunciou uma parceria com a Sempra Infrastructure para a compra de outras 800 mil toneladas anuais de GNL (outros 2,8 milhões de m³/d) por 20 anos, a partir do terminal de liquefação de Port Arthur, no Texas.

A Petrobras justificou o negócio afirmando que “a contratação de volumes de longo prazo reflete a estratégia da companhia de reduzir a exposição à volatilidade do mercado spot de GNL”. Além disso, segundo a petrolífera, a compra “fortalece a gestão de riscos do portfólio de gás e amplia a flexibilidade e a segurança para atender aos contratos”.

Desde 28 de fevereiro, o mercado de combustíveis fósseis vem sendo impactado pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. O conflito fez os preços do petróleo e do GNL dispararem, já que o Catar é o maior produtor e exportador de GNL e teve instalações destruídas.

Fechar contratos para “travar” preços parece, portanto, uma estratégia empresarial acertada da Petrobras. Mas apostar em mais gás por 20 anos é dar mais um sinal claro de que a transição energética está longe da estatal. Afinal, a urgência climática — e a insegurança energética gerada pela guerra no Irã — jogaram por terra a tentativa da indústria petrolífera de fazer do gás um “combustível de transição”.

Bloomberg Línea, Click Petróleo e Gás, Times Brasil, Metrópoles e Carta Capital também noticiaram o contrato de compra de gás fóssil da Petrobras.

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Ian Mello

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