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November 6, 2026
Clima

Países ricos estão muito aquém do necessário para financiar adaptação climática, diz ONU – ClimaInfo

  • Novembro 5, 2026
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Países ricos estão muito aquém do necessário para financiar adaptação climática, diz ONU – ClimaInfo
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Análise indica que fluxos internacionais de recursos para adaptação ainda estão distantes da meta de triplicar o financiamento até 2035.

4 de novembro de 2026

relatório de adaptação
Adaptation Gap Report 2026

Resumo

  • Financiamento estabilizado e muito abaixo da meta: segundo o Relatório sobre a Lacuna de Adaptação do PNUMA, os fluxos internacionais para adaptação nos países menos desenvolvidos e pequenos estados insulares em desenvolvimento subiram US$ 3,5 bilhões entre 2023 e 2024, de US$ 28,2 bilhões para US$ 31,7 bilhões, mas ainda ficaram abaixo do pico de 2022. A meta da COP30 de triplicar o financiamento até 2035 (para US$ 85-120 bilhões) atenderia só 20-29% das necessidades de 2025, que, segundo as NDCs e os NAPs, chegam a US$ 305 bilhões por ano para os países mais pobres, quase dez vezes o volume atual.
  • Sinais positivos, mas insuficientes: a meta do Pacto Climático de Glasgow, de dobrar o financiamento para US$ 40 bilhões em 2025 em relação a 2019, ainda pode ser cumprida, caso os bancos multilaterais tenham ampliado seus aportes e a redução da ajuda oficial ao desenvolvimento não os afete. Os fluxos entre países em desenvolvimento cresceram de US$ 3,8 bilhões (2019) para US$ 9,6 bilhões (2024), e os fluxos privados também aumentaram, embora voltados sobretudo às necessidades do próprio setor privado.
  • Perdas e danos e pressão crescente: o Fundo de Resposta a Perdas e Danos recebeu pedidos de US$ 2,8 bilhões, mas dispõe de apenas US$ 342 milhões (cerca de um dólar para cada oito solicitados). Com eventos extremos mais intensos e o limite de 1,5°C provavelmente superado nos próximos anos, as necessidades tendem a crescer.
  • O ritmo de crescimento do financiamento para adaptação climática parece ter se estabilizado, de acordo com nova análise divulgada pelo Programa da ONU sobre Meio Ambiente (PNUMA) na 4a feira (4/11). Segundo a nova edição do Relatório sobre a Lacuna de Adaptação, os fluxos internacionais de recursos para adaptação nos países menos desenvolvidos e nos pequenos estados insulares em desenvolvimento cresceram US$ 3,5 bilhões entre 2023 e 2024, passando de US$ 28,2 bilhões para US$ 31,7 bilhões (R$ 153,8 bilhões para R$ 173 bilhões). Apesar da alta, o valor representa uma queda em relação ao pico de 2022.

    O montante registrado em 2024 ainda está muito distante da meta assumida pelos países na COP30 em Belém, no ano passado, de triplicar o financiamento para adaptação até 2035, o que elevaria esse valor para US$ 85-120 bilhões (R$ 463-R$ 655 bilhões). A situação é ainda mais desafiadora se considerarmos as necessidades dos países mais pobres e vulneráveis. Considerando as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) e os Planos Nacionais de Adaptação (NAP), a demanda anual de recursos seria de US$ 305 bilhões (R$ 1,6 trilhão), quase dez vezes mais do que o volume atual de financiamento.

    Ajustada pela inflação, a meta de triplicar o financiamento para adaptação, se cumprida, atenderia apenas a 20-29% das necessidades para esse fim em 2025. Ao mesmo tempo, triplicar os fluxos para os países menos desenvolvidos e pequenos estados insulares em desenvolvimento poderia atender de 49% a 83% de suas necessidades, segundo o PNUMA.

    Apesar da insuficiência atual dos fluxos financeiros para adaptação, o relatório também trouxe boas notícias. Mesmo com o crescimento abaixo do ritmo necessário para cumprir o Pacto Climático de Glasgow, firmado na COP26 em 2021, a meta de dobrar o financiamento para US$ 40 bilhões (R$ 218 bilhões) em 2025 em relação a 2019 ainda pode ser alcançada. É provável que os bancos multilaterais de desenvolvimento tenham aumentado significativamente seu financiamento em 2025, mas isso depende de eventuais impactos da redução da ajuda oficial ao desenvolvimento nessas instituições.

    Os fluxos financeiros entre os países em desenvolvimento também estão aumentando. As contribuições por meio de bancos multilaterais de desenvolvimento e da cooperação direta Sul-Sul subiram de US$ 3,8 bilhões em 2019 para US$ 9,6 bilhões (R$ 20,7 bilhões para R$ 52,3 bilhões) em 2024. Mesmo os fluxos privados também estão crescendo, embora voltados principalmente às necessidades de adaptação do próprio setor privado.

    A falta de financiamento também se estende às perdas e aos danos causados pelas mudanças climáticas. O Fundo de Resposta a Perdas e Danos recebeu solicitações totalizando US$ 2,8 bilhões (R$ 15,2 bilhões) em sua primeira rodada de financiamento, mas dispõe de apenas US$ 342 milhões (R$ 1,8 bilhão) – o suficiente para cobrir aproximadamente um dólar a cada oito solicitados.

    Com a intensificação de eventos climáticos extremos e a perspectiva de que o limite de 1,5oC de aquecimento global seja superado nos próximos anos, as necessidades de adaptação devem seguir aumentando. O que amplia a pressão por recursos financeiros para os países mais vulneráveis.

    “O financiamento para adaptação é um instrumento vital na resiliência global. Cumprir esses compromissos protege as comunidades mais vulneráveis, previne o deslocamento forçado, garante a segurança alimentar global e assegura que ninguém seja deixado para trás”, destacou Inger Andersen, diretora-executiva do PNUMA, ao Guardian.

    Os principais pontos do Relatório sobre a Lacuna de Adaptação também foram repercutidos por AFP, Exame, Folha, InfoMoney, Swissinfo, Reuters e UOL.

    • Em tempo: Alguns países que adotaram recentemente a estratégia de converter dívida externa em metas de biodiversidade e clima estão mudando sua abordagem para convencer seus credores. Em vez de trocar o pagamento da dívida por compromissos ambientais, essas nações estão buscando atender a problemas mais imediatos, em especial o combate à fome. A Bloomberg destaca o caso do Quênia, que negocia a troca de US$ 1 bilhão de sua dívida por ajuda para financiar programas de apoio alimentar no país, seguindo o exemplo de outras nações africanas, como Moçambique, Egito e Guiné-Bissau. Esse esforço também visa minimizar o impacto dos cortes recentes de ajuda internacional dos países mais ricos.

    • adaptação climática
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