Painéis solares e baterias mudam rotina energética na Amazônia – ClimaInfo
Muitas comunidades da Amazônia não estão conectadas à rede elétrica. São sistemas isolados que costumam ser abastecidos com eletricidade gerada por óleo combustível ou diesel, cuja queima gera grandes emissões de gases de efeito estufa. Sem falar nos custos – dos combustíveis e da logística para levá-los a essas regiões distantes -, que são pagos por toda a população por meio de encargos nas contas de luz que superam R$ 12 bilhões anuais.
Esse cenário, porém, começa a mudar, mostra Fabiano Maisonnave na Bloomberg, em matéria reproduzida por Folha, O Globo e InfoMoney. Cerca de 160 termelétricas locais, bem como milhares de geradores espalhados pela floresta, estão dando lugar a painéis solares e baterias de lítio. Uma mudança impulsionada por uma combinação de políticas federais – como o programa “Energias da Amazônia”, lançado em agosto de 2023 -, queda nos custos da tecnologia renovável e iniciativas filantrópicas para construir microrredes.
Cerca de 1,2 milhão de pessoas vivem em comunidades indígenas e ribeirinhas no interior da floresta. Elas recorrem a geradores, mas os ligam apenas algumas horas por dia para economizar combustível. Até recentemente, essa era a situação da Comunidade Indígena Três Unidos, do Povo Kambeba, composta por 40 famílias, na foz do rio Cuieiras, a cerca de 72 quilômetros de Manaus e acessível só por barco.
Em dezembro, porém, Três Unidos ganhou um novo sistema de microrrede solar com baterias. A energia 24 horas permite refrigeração, e a comunidade reduziu drasticamente o uso de diesel, queimando cerca de 1.800 litros a menos por mês. “A gente dependia do diesel e de lamparinas”, conta Waldemir da Silva, líder da comunidade. “Hoje temos eletricidade 24 horas por dia, sem barulho nem fumaça.”
No ano passado, o Ministério de Minas e Energia (MME) aprovou um conjunto inicial de 29 projetos que, juntos, atenderão 650 mil pessoas e evitarão 800 mil toneladas de emissões de gases de efeito estufa até 2036, segundo estimativas oficiais. A economia em subsídios deve superar R$ 850 milhões.A diferença de emissões entre o Sistema Interligado Nacional (SIN) – a rede elétrica principal do Brasil – e seus sistemas isolados evidencia o quanto a geração elétrica permanece poluente em plena Floresta Amazônica – e o quanto a substituição dos combustíveis fósseis por fontes renováveis é urgente. Enquanto o SIN emitiu uma média de cerca de 0,046 tonelada de CO2 por megawatt-hora (MWh) em 2025, as emissões nos sistemas isolados chegaram a 0,67 tonelada de CO2 por MWh – quase 17 vezes mais, segundo Vinicius Nunes, associado da BloombergNEF baseado em São Paulo.








