Onda de calor ameaça colheitas na China, que também sofre com temporais – ClimaInfo
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Calor afeta importantes regiões agrícolas no norte e no leste do país, enquanto fortes chuvas atingem o noroeste e o sudoeste chineses.
4 de agosto de 2026

Resumo
Plantações de milho e algodão da China correm risco de sofrer grandes danos nos próximos dias, devido a uma onda de calor que atinge importantes regiões agrícolas no norte e leste do país. Já no noroeste e no sudoeste chineses, autoridades alertaram para temporais nas províncias de Shaanxi e Sichuan.
O centro climático de Shandong, província responsável por 10% da produção de milho da China, alertou que temperaturas persistentes entre 35°C e 39°C podem prejudicar a produção da safra de verão, informa a Bloomberg. A alta umidade causada pelas monções também pode aumentar o risco de doenças nas plantações, acrescentou o centro.
Mais ao norte, autoridades de Liaoning – que contribui com 7% da produção nacional de milho – também expressaram preocupação. Em outra declaração, o meteorologista da Vaisala, Kyle Tapley, afirmou que havia potencial para estresse térmico nas plantações de milho e soja em Liaoning e na Mongólia Interior.
O calor intenso também deve atingir Xinjiang, região autônoma onde se cultiva quase todo o algodão da China. O calor e a seca contínuos podem reduzir a produção de Xinjiang em até 5% neste mês, de acordo com a empresa de previsão meteorológica Marcus Weather Inc..
A China destinou US$ 319 milhões (R$ 1,6 bilhão) para fundos de conservação de água e socorro em desastres, segundo a Reuters. A iniciativa pretende ajudar a prevenir desastres agrícolas e reparar instalações de engenharia de conservação de água, informou o Ministério das Finanças do país.
Além do calor, a China sofre com chuvas intensas. Autoridades alertaram para os riscos de temporais em várias partes do país, com tempestades concentradas em Shaanxi, no noroeste, e Sichuan, no sudoeste, onde moradores foram evacuados de áreas de alto risco, informa a Reuters.
Na província de Gansu, no noroeste chinês, pelo menos 25 pessoas morreram após após enchentes repentinas no dia 26 de julho, que também deixaram 23 pessoas feridas, de acordo com a SCMP. Grandes regiões da província continuam a sofrer com os impactos das fortes chuvas da semana passada, que fizeram rios transbordarem.
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Em tempo: No árido noroeste da China, a mídia estatal tem comemorado o aumento das chuvas. A região autônoma de Ningxia Hui geralmente tem uma média de cerca de 300 mm de chuva por ano, mas o total anual aumentou nos últimos anos em cerca de 12 mm. A faixa de chuvas estava se deslocando para o norte, alterando a linha de precipitação de 400 mm – a fronteira vital que separa as pastagens áridas da China de seu coração agrícola úmido, informou o Centro de Notícias de Radiodifusão de Ningxia. Essa “sorte divina” traria “dividendos climáticos”, dizia o centro, prometendo que “o solo ficaria verde e a área agrícola se expandiria”. No entanto, cientistas alertam que narrativas romantizadas ignoram a realidade instável das mudanças climáticas, destaca a SCMP. Embora concordem que Ningxia apresenta um aumento nas chuvas e uma tendência de aquecimento e aumento da umidade, enquadrar isso como um “retorno a uma era de ouro” da próspera dinastia Tang (618 d.C. a 907 d.C.), quando a região experimentou um clima quente e úmido, é cientificamente enganoso e potencialmente perigoso para o planejamento econômico e político de longo prazo.
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