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July 27, 2026
Clima

Obras na Bacia do Tapajós têm baixa transparência pública, mostra relatório – ClimaInfo

  • Julho 27, 2026
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Obras na Bacia do Tapajós têm baixa transparência pública, mostra relatório – ClimaInfo
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Estudo avalia dez intervenções de infraestrutura e apresenta recomendações para fortalecer a participação social e a governança na Amazônia.

26 de julho de 2026

bacia do tapajós
Kamila Sampaio / Movimento Tapajós Vivo

Resumo

  • Estudo aponta baixa transparência em obras de infraestrutura na Bacia do Tapajós: lançado pelo Movimento Tapajós Vivo e a Transparência Internacional – Brasil, o relatório avaliou dez intervenções ligadas à Hidrovia do Tapajós, à BR-163 e ao Corredor Logístico Tapajós-Xingu, que somaram pontuação média de apenas 27,75 em uma escala de 0 a 100.
  • Lacunas afetam desde estudos técnicos até consultas a Povos Indígenas: o estudo identificou falhas na divulgação de estudos ambientais, documentos de licenciamento, dados de execução e monitoramento das obras, além de deficiências nos processos de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) previstos pela Convenção 169 da OIT, agravadas pela fragmentação das informações em diferentes sistemas públicos.
  • Relatório recomenda centralizar dados e fortalecer participação social: entre as sugestões estão reunir as informações em plataformas acessíveis, ampliar a transparência sobre riscos socioambientais e licenciamento, e garantir a publicidade dos processos de CLPI, medidas que, segundo a pesquisadora Aline de Matos Soares, são fundamentais para qualificar a governança pública na Amazônia.
  • Dez das principais intervenções de infraestrutura relacionadas à Hidrovia do Tapajós, à rodovia BR-163 e ao Corredor Logístico Tapajós-Xingu têm nível baixíssimo de transparência. É o que mostra o estudo “Corredor Logístico Tapajós-Xingu: Infraestrutura, Transparência e Governança”, feito pelo Movimento Tapajós Vivo, em parceria com a Transparência Internacional – Brasil, e lançado na 6ª feira (24/7).

    A pesquisa avaliou os empreendimentos com base na metodologia do Guia Infraestrutura Aberta, da Transparência Internacional – Brasil. O guia mede a disponibilidade e a qualidade das informações públicas em todas as etapas dos projetos, do planejamento à execução, destaca o Tapajós de Fato.

    A pesquisa analisou as intervenções em diferentes fases, incluindo estudos de viabilidade, projetos hidroviários, dragagens, monitoramento da navegação e obras rodoviárias. Foram avaliados aspectos relacionados ao planejamento, riscos socioambientais, licenciamento, contratação, execução, monitoramento e mecanismos de participação social, buscando compreender se as informações necessárias para o acompanhamento dos empreendimentos estão efetivamente disponíveis para a sociedade.

    Os resultados revelam um cenário preocupante. As dez intervenções analisadas obtiveram pontuação média de apenas 27,75 pontos em uma escala de 0 a 100 , indicando um baixo nível de transparência. Embora existam informações básicas sobre parte dos empreendimentos, o estudo identificou lacunas importantes na divulgação de estudos técnicos e ambientais, documentos relacionados aos impactos socioambientais, informações sobre execução e monitoramento das obras e processos de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI), direito assegurado aos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais potencialmente afetados pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), do qual o Brasil é signatário. Além disso, a fragmentação das informações em diferentes sistemas públicos dificulta o acesso aos dados e reduz as chances de controle social.

    Para resolver o problema, o estudo apresenta um conjunto de recomendações para os órgãos responsáveis pelos empreendimentos e a administração pública. Entre elas estão a centralização das informações em plataformas acessíveis; maior transparência sobre estudos técnicos e ambientais; divulgação de documentos relacionados ao licenciamento; fortalecimento dos mecanismos de participação social; publicidade dos processos de CLPI; e ampliação das informações sobre execução, monitoramento e resultados das obras.

    “Os resultados mostram que ainda existem importantes barreiras para que a sociedade acompanhe como esses empreendimentos são planejados, executados e monitorados. Fortalecer a transparência ativa, ampliar a divulgação de estudos técnicos e socioambientais, garantir processos efetivos de participação social e assegurar as Consultas Livres, Prévias e Informadas são medidas fundamentais para qualificar a governança pública”, disse Aline de Matos Soares, do Movimento Tapajós Vivo, uma das autoras do relatório.

    • Em tempo: O presidente Lula desautorizou a retirada emergencial de sedimentos no rio Tapajós, informa a CNN Brasil. Em uma reunião no Palácio do Planalto entre representantes de diversos ministérios e representantes de Povos Indígenas da região, na 5ª feira (23/7), Lula decidiu não acatar as recomendações de iniciar imediatamente a dragagem de manutenção do rio. Segundo a Folha, a retirada de sedimentos estaria diretamente ligada aos efeitos do “Super El Niño” que deve vigorar a partir do fim do ano. O fenômeno pode agravar a seca na Amazônia, comprometendo a navegabilidade da hidrovia do Tapajós.

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