Mundo está muito aquém da meta de restauração de ecossistemas, diz ONU – ClimaInfo
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Há atualmente 252 milhões de hectares — uma área equivalente ao estado de São Paulo — sendo restaurados em 149 países, mostra relatório da ONU.
29 de outubro de 2026

Resumo
Uma boa notícia: 252 milhões de hectares — uma área equivalente ao estado de São Paulo — estão sendo restaurados em 149 países, gerando mais de 1 milhão de empregos verdes. É o maior esforço de restauração global documentado até o momento.
No entanto, o número está muito aquém da meta global de restaurar 1 bilhão de hectares até 2030, estabelecida no Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, assinado no final de 2022. O que reforça que as ações devem ser aceleradas e que o financiamento anual para restauração deve mais do que quadruplicar. Estima-se que esse investimento possa gerar até 32 milhões de novos empregos em todo o mundo até 2030.
É o que mostra o relatório “O retorno da natureza — ampliando a restauração de ecossistemas para as pessoas e o planeta”, lançado na 5ª feira (29/10) na COP17 da Biodiversidade, em Yerevan, na Armênia. O documento foi elaborado conjuntamente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pelo Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).
Do total atualmente em restauração, 192,2 milhões de hectares estão na Ásia, destacam Reuters e UOL. A China lidera o progresso na restauração de ecossistemas no continente, com 127,4 milhões de hectares (66,3% do total), segundo o relatório.
O ranking continua com a África (36,3 milhões de ha), Europa (9,1 milhões), América do Norte e Central (5,8 milhões), América do Sul (5,4 milhões) e Oceania com 3,2 milhões de hectares. As diferenças não classificam o desempenho da restauração: refletem a escala da atividade de restauração, a área territorial regional e as capacidades de monitoramento e de relato, explica o documento.
O relatório frisa que o progresso da restauração varia entre ecossistemas e países. A restauração de ecossistemas terrestres atingiu quase metade da meta global de restaurar 30% dos ecossistemas terrestres degradados até 2030 — a meta 30×30, estabelecida no Marco de Kunming-Montreal. A China registra a maior área terrestre em processo de restauração, enquanto áreas substanciais também foram documentadas na Mongólia e no Cazaquistão.
O progresso é muito mais limitado nos ecossistemas de água doce, marinhos e costeiros, que também estão se degradando a um ritmo mais acelerado. Apenas 11 milhões de hectares de ecossistemas de água doce e 5,7 milhões de hectares de ecossistemas marinhos e costeiros, em 62 e 46 países, respectivamente, estão documentados como em processo de restauração.
Restaurar a natureza para a resiliência e o bem-estar das pessoas exigirá um compromisso político sustentado e um aumento de mais de quatro vezes no financiamento anual para restauração, de US$ 64 bilhões (R$ 345 bilhões) para US$ 296 bilhões (R$ 1,5 trilhão) até 2030, destaca o documento. As maiores necessidades estimadas de investimento anual são: agroflorestamento (US$ 87 bilhões/R$ 469 bilhões), reflorestamento restaurador (US$ 52 bilhões/R$ 280 bilhões), restauração de turfeiras (US$ 44 bilhões/R$ 237 bilhões) e restauração de pradarias marinhas (US$ 28 bilhões/R$ 150 bilhões).
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