Mineradoras estrangeiras detêm 4 em cada 10 projetos de terras raras no país – ClimaInfo
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Mais de 40% dos pedidos de exploração de terras raras foram apresentados por mineradoras estrangeiras, sobretudo de Austrália, EUA e Canadá.
20 de agosto de 2026

Resumo
Dono da segunda maior reserva de terras raras do planeta, o Brasil tornou-se um terreno disputado entre mineradoras de todo o mundo. Uma reportagem do Repórter Brasil e da Associated Press revela que quase metade (42%) dos pedidos de exploração protocolados até junho na Agência Nacional de Mineração (ANM) foi apresentada por empresas sediadas no exterior, principalmente na Austrália, nos Estados Unidos e no Canadá, ou por suas subsidiárias.
As terras raras ganharam destaque por serem cruciais para a fabricação de equipamentos como mísseis, turbinas de avião, equipamentos eletrônicos, baterias, painéis fotovoltaicos, chips e outros produtos tecnológicos e voltados à transição energética. Elas viraram motivo de (mais) uma queda de braço entre EUA e China, sobretudo depois que os chineses restringiram as exportações de terras raras para o mercado estadunidense, como resposta às tarifas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump.
Isso explica por que um dos países que intensificaram sua presença no mercado brasileiro de terras raras é exatamente os EUA. O governo estadunidense vem apoiando a atuação de mineradoras do país em projetos de terras raras no Brasil, incluindo o financiamento à USA Rare Earth (USAR) para a compra da Serra Verde Group, dona da única mina de terras raras em operação comercial no Brasil, em Pela Ema (GO).
Apesar das empresas ligadas ao capital estrangeiro representarem apenas 12% dos titulares de requerimentos de terras raras na ANM, elas controlam 42% de todos os pedidos em operação ou em pré-operação comercial – incluindo 31 dos 45 processos mais avançados.
Os dados revelam que 11 das 20 empresas com o maior número de pedidos são ligadas a investidores estrangeiros, com destaque para as mineradoras australianas, que totalizam 695 requerimentos minerários. Quase um terço deles (217) foi feito pela Borborema Recursos Minerais, subsidiária da Brazilian Rare Earths Ptu Ltd, sediada em Sydney. Já as empresas dos EUA respondem por 347 pedidos, com destaque para a Alpha Minerals Brazil, incorporada pela Rare Earth Americas (REA), do Texas, que responde por 181 requerimentos.
O levantamento também mostra o impacto potencial da corrida das mineradoras por terras raras. Ao todo, 25% dos requerimentos se sobrepõem a Unidades de Conservação ou comunidades tradicionais, ou estão a até 10 quilômetros desses territórios. Um exemplo é o Projeto Carina, da Aclara Resources, com requerimentos parcialmente sobrepostos ao Território Quilombola Família Magalhães, no norte de Goiás.
A Aclara conta com financiamento de US$ 5 milhões (R$ 25,9 milhões) do U.S. International Development Finance Corporation (DFC), banco de desenvolvimento do governo dos EUA, especificamente para o projeto. A ANM já concedeu autorizações minerárias, e o projeto deve iniciar suas operações em 2028. No entanto, a comunidade quilombola só foi consultada sobre o empreendimento em julho.
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Em tempo: A mineradora australiana Viridis anunciou a captação de US$ 120 milhões (R$ 623,1 milhões) para financiar o projeto Colossus no Brasil. A companhia é responsável por desenvolver a exploração de terras raras em reservas na região de Poços de Caldas (MG). O custo total do projeto é estimado em US$ 449 milhões (R$ 2,3 bilhões), informam CNN Brasil e Estadão.
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