Margem de revenda do diesel sobe 124% com guerra, diz presidente da Petrobras – ClimaInfo
7 de maio de 2026

Os preços dos combustíveis fósseis dispararam com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. No Brasil, distribuidoras e revendedores aproveitaram a escalada para aumentar suas margens de lucro, critica a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Mas a empresa também está ganhando muito com a guerra.
Em uma rede social, Magda destacou o aumento de margem dos setores de distribuição e revenda de combustíveis. A executiva lembrou que a estatal está fora desses segmentos desde a venda da BR Distribuidora pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2021, informa o InfoMoney.
A presidente da Petrobras lembrou que mesmo em “época de guerra”, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), a margem de lucro da distribuição e revenda de óleo diesel aumentou 124%, e a da gasolina, 44%. “Como gosto de perguntar, para quem foi boa a venda da BR Distribuidora, da Refinaria da Bahia [Mataripe], da Liquigás [distribuidora de gás de cozinha]?” indagou Magda.
Mas se o bolso do consumidor dói cada vez mais com o conflito no Oriente Médio, a Petrobras não tem do que reclamar. Além de exportar petróleo a preços mais altos, a estatal se beneficia do aumento das vendas diretas de óleo diesel, que dispararam no primeiro trimestre, segundo dados da ANP. O volume comercializado por produtores a grandes consumidores saltou de 1,1 milhão de litros, no último trimestre de 2025, para 23,4 milhões de litros, de janeiro a março deste ano, uma alta de 20 vezes.
O avanço se concentrou em Minas Gerais, que respondeu por 20 milhões de litros do total – alta de 36 vezes em relação ao período de outubro a dezembro de 2025. Segundo o Estadão, as vendas foram realizadas principalmente da Petrobras para a Vale – responsável por 4% do consumo de diesel do país.
Diferentemente da venda de diesel pelas distribuidoras, a venda direta não tem como contrapartida obrigatória a compra de Créditos de Descarbonização (CBIOs). Por isso, para o setor de distribuição, trata-se de concorrência desleal. Além disso, contraria o discurso de descarbonização da petrolífera e da mineradora, já que o CBIO é uma espécie de compensação pela queima de combustíveis fósseis. Na dúvida, torçamos pela briga.
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Em tempo 1: A Refinaria de Mataripe, na Bahia, vendida pela Petrobras de Bolsonaro em 2021, reduziu ontem (7/5) o preço do diesel em 2,7% e da gasolina em 2,2%, acompanhando a queda do preço do petróleo no mercado internacional. Mesmo assim, os preços ainda superam os praticados pela estatal em quase o dobro, destaca a eixos. O diesel S-10 na refinaria baiana passou a custar R$ 5,74 o litro e a gasolina, R$ 4,19 o litro. Na Petrobras, o preço oficial do diesel S-10 é de R$ 3,65 o litro e o da gasolina, de R$ 2,54 o litro.
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Em tempo 2: O governo ainda não pagou nenhuma das empresas habilitadas ao programa de subvenção ao óleo diesel, criado para tentar minimizar os impactos da guerra no Irã sobre o consumidor brasileiro, segundo empresas do setor. O prazo para o primeiro ressarcimento, referente às vendas do combustível em março, venceu no último dia 30 de abril, sem que a ANP tenha autorizado pagamentos, segundo a Folha. A Petrobras, maior fornecedora nacional do combustível, e importadoras e distribuidoras de menor porte já enviaram à agência as notas fiscais, mas ainda aguardam resposta.
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Em tempo 3: Os contratos futuros do petróleo fecharam em leve queda ontem (7/5), reduzindo boa parte das perdas ocorridas mais cedo e apresentando uma breve alta durante o pregão. No fechamento, o petróleo Brent com vencimento em julho teve queda de 1,19%, cotado a US$ 100,06 por barril, enquanto o WTI com entrega prevista para junho caiu 0,28%, a US$ 94,81 por barril, detalha o Valor.
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