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September 13, 2026
Clima

MapBiomas: perda de vegetação secundária no Cerrado aumentou 20% desde 2017 – ClimaInfo

  • Setembro 13, 2026
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MapBiomas: perda de vegetação secundária no Cerrado aumentou 20% desde 2017 – ClimaInfo

13 de setembro de 2026

Agrossuicídio desmatamento no Cerrado pode inviabilizar agronegócio
Marcio Francisco Martins

Resumo

  • Vegetação secundária: dados do MapBiomas divulgados no Dia do Cerrado mostram que, entre 2017 e 2025, a perda desse tipo de vegetação no bioma foi quase 20% maior do que na década anterior. O balanço líquido de recuperação do Cerrado também vem caindo continuamente desde 1987, um sinal de que o bioma perde mais do que regenera.
  • Concentração territorial e ciclo de desmatamento: a maior parte da perda líquida está concentrada em municípios da região do MATOPIBA. Um agravante é que a maioria da vegetação secundária perdida no bioma é desmatada novamente em menos de dez anos, impedindo sua recuperação plena e reduzindo sua capacidade de estocar carbono.
  • Urgência climática e hídrica: o Cerrado funciona como regulador climático e hídrico do Brasil, mas já sofre com mudanças no regime de chuvas, secas mais longas e queda na vazão de rios, o que gera conflitos pelo uso da água. Por isso, organizações da sociedade civil lançaram a campanha #VotePeloCerrado, para cobrar compromissos de candidatos às eleições de outubro com a proteção do bioma.
  • A perda de vegetação secundária se intensificou nos últimos anos no Cerrado. Dados do MapBiomas divulgados na 6a feira (11/9), Dia do Cerrado, mostram que entre 2017 e 2025 o bioma teve perda de vegetação secundária 20% maior do que no período de 2007 a 2016. A vegetação secundária é a área desmatada que se encontra em processo de recuperação da cobertura por vegetação nativa.

    Segundo o levantamento, no ano passado a vegetação secundária no Cerrado ocupava cerca de 7,5 milhões de hectares, correspondendo a apenas 8% da cobertura remanescente do bioma. Desde 1987, primeiro ano da série histórica do MapBiomas sobre o Cerrado, a perda de vegetação nativa chega a 7,9 milhões de hectares, área equivalente a quase duas Holandas.

    O Cerrado vem sofrendo uma redução gradual de vegetação secundária nas últimas quatro décadas. Entre 1987 e 1996, o balanço líquido (diferença entre ganho e perda dessa vegetação) foi de 3,4 milhões de hectares. No período de 1997 a 2006, ficou em 2,2 milhões de hectares. Entre 2007 e 2016, foi de 1,9 milhão de hectares. E os dados de 2017 a 2025 mostram outra queda, para apenas 500 mil hectares, com ganho de 3,2 milhões de hectares e perda de 2,7 milhões.

    O MapBiomas também mostra que, dos 1.425 municípios cobertos pelo Cerrado, 67 perderam pelo menos mil hectares a mais de vegetação secundária do que ganharam no período de 2017 a 2025. A maioria deles está na região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), e os três municípios com a maior perda líquida de vegetação secundária estão na Bahia – Barreiras, Jaborandi e Baixa Grande do Ribeiro. Já os três municípios com maior ganho líquido no período foram Cocalinho (MT), Paranã (TO) e Arinos (MG).

    O IPAM reforça que a falta de mecanismos específicos de proteção contribui para uma pressão crescente sobre a vegetação secundária no Cerrado. Não à toa, 73% da vegetação secundária perdida no bioma é desmatada novamente até dez anos após sua primeira derrubada, comprometendo sua capacidade de recuperação e reduzindo a capacidade de absorção de carbono.

    “À medida que a vegetação secundária se desenvolve, ela pode acumular biomassa e carbono, ampliar a conectividade da paisagem e recuperar partes das funções ecológicas. Isso não significa que ela seja equivalente à vegetação primária, mas mostra por que sua permanência tem um papel importante no avanço da recuperação do Cerrado”, explicou Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM e do MapBiomas.

    A proteção do Cerrado ganha ainda mais urgência no contexto da crise climática e de seus impactos no bioma e no resto do país. Em entrevista ao Brasil de Fato, a professora Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), explica que o Cerrado já sofre com alterações no regime de chuvas e a intensificação de incêndios. Problemas que podem se tornar ainda mais latentes nos próximos meses, com o “Super El Niño”. 

    “O Cerrado não é um bioma secundário; ele é o coração hídrico do Brasil e um fator de estabilidade climática. Sua destruição é uma ameaça ao bem-estar e ao futuro da população brasileira”, ressaltou Mercedes. “Proteger este bioma é uma questão de sobrevivência, e não uma opção. O futuro sustentável do Brasil passa pelo Cerrado.”

    A Exame destaca um estudo da The Nature Conservancy (TNC) que analisou seis décadas de dados hidrológicos da Bacia do Araguaia. A pesquisa identificou fatores que pressionam os recursos hídricos do Cerrado, em especial o aumento das temperaturas, a redução do volume e da frequência das chuvas, o prolongamento da estação seca e a queda na vazão de rios importantes da região.

    A pressão crescente sobre os recursos hídricos já gera conflitos relacionados ao uso da água. Na Bacia do rio Formoso (TO), por exemplo, disputas entre produtores rurais de arroz, soja e milho resultaram na interrupção do fluxo do curso d’água e na judicialização do problema.

    Diante disso, organizações da sociedade civil iniciaram uma campanha para pressionar os candidatos às eleições de outubro a assumirem compromissos com a proteção do Cerrado e de seus Povos. Batizada de #VotePeloCerrado, a mobilização defende que os candidatos se comprometam com propostas como o reconhecimento do bioma como patrimônio nacional, a proteção das águas, a garantia de terra e território aos Povos Tradicionais, o combate à grilagem e à violência no campo, e o fortalecimento da agroecologia e da agricultura familiar, detalha o Jornal de Brasília.

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