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October 9, 2026
Clima

Leilões de petróleo da ANP desprezam emergência climática – ClimaInfo

  • Outubro 9, 2026
  • 3 min read
Leilões de petróleo da ANP desprezam emergência climática – ClimaInfo

Ignorando a crise climática, a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) promoveu anteontem (7/10) mais um “Leilão do Fim do Mundo” de áreas para exploração de combustíveis fósseis. Foram 59 áreas vendidas: sete blocos no regime de partilha do pré-sal, 49 blocos exploratórios e três áreas de acumulação marginal no regime de concessão. Segundo levantamento do Instituto Internacional Arayara, a combustão dos recursos petrolíferos associados a essas áreas pode resultar na emissão de aproximadamente 407 milhões de toneladas de CO₂ — cerca de 20% das emissões anuais do Brasil.

Diante disso, o Observatório do Clima (OC) lembrou que a emergência climática está ausente do planejamento e dos editais dos dois leilões. Além disso, o OC lembra que a ANP ofertou duas áreas terrestres em plena Amazônia, na Bacia do Tacutu, em Roraima, destaca o Jornal Nacional, que foram arrematadas pela estreante Aguila Energy. Por isso, para a rede, os próximos certames precisam estar condicionados às demandas da transição energética, informa a eixos.

O OC ainda cobra a elaboração do mapa do caminho brasileiro para além dos combustíveis fósseis e critica a sequência de leilões. “Não podemos retardar mais a elaboração do mapa do caminho nacional para afastamento dos combustíveis fósseis, nem continuar com uma sequência irresponsável de leilões de petróleo. O Brasil precisa acelerar sua transição energética, de forma justa e inclusiva”, afirmou a coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo.

A organização reforça que as reservas brasileiras de petróleo já descobertas são suficientes para atender à demanda nacional para além da próxima década. Isso joga por terra o argumento falacioso de que é preciso explorar mais combustíveis fósseis para garantir a segurança energética. E dispensa a prospecção de novas bacias, como as da Margem Equatorial e de Pelotas, consideradas uma nova fronteira exploratória.

Além da ameaça climática, o OC aponta também o risco econômico. Afinal, cenários traçados pela Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que a demanda mundial de petróleo e gás deve começar a cair a partir de 2030, o que fará com que novos campos corram sério risco de se tornarem ativos encalhados, com prejuízos para as empresas, seus acionistas, mas também para o país.

Já o Instituto Arayara, que entrou na Justiça com ações civis públicas pedindo a suspensão dos leilões da ANP, aponta que 22 áreas arrematadas estão entre as 65 que classifica como em litígio. Para a organização, a apresentação de propostas não encerra os questionamentos sobre as áreas. O instituto afirma que continuará acompanhando os processos judiciais e os desdobramentos administrativos e ambientais decorrentes dos arremates.

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Celia Mello

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