LACLIMA vê avanço das metas climáticas do G20, mas aponta desafios de mensuração e implementação – ClimaInfo
As metas climáticas dos países do G20 – grupo que reúne as maiores economias do mundo – avançaram em sofisticação e ambição no novo ciclo das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). No entanto, ainda carregam diferenças metodológicas e dificuldades de implementação.
Essa é uma das principais conclusões do relatório “Um olhar para os compromissos climáticos: Avaliação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) do G20”, da LACLIMA, lançado nesta semana, destaca o Um só planeta. O estudo analisa as metas climáticas do G20 até 2035 e mostra que, embora haja uma tendência de continuidade da redução de emissões, os países seguem adotando trajetórias diferentes de descarbonização.
O estudo identifica maior presença de metas absolutas de emissões e redução do uso de abordagens baseadas em cenários de Business as Usual (BAU), o que tende a fortalecer a integridade ambiental dos compromissos. Ao mesmo tempo, mostra que a transparência avançou mais rapidamente do que a comparabilidade. Diferenças de ano-base, métricas de contabilização, cobertura setorial e desenho metodológico continuam impondo obstáculos à avaliação homogênea dos compromissos assumidos, dificultando a medição do esforço climático global.
“O relatório mostra que o G20 segue no centro da ação climática global, mas também evidencia que suas NDCs ainda não formam um conjunto plenamente comparável”, afirma André Castro Santos, diretor técnico da LACLIMA. “Houve avanço na formulação das metas e no fortalecimento da transparência, mas ainda existem diferenças metodológicas que exigem cautela na leitura da ambição climática.”
No campo social, o documento mostra que a transição energética justa passou a ocupar posição mais central nas estratégias climáticas. Em parte significativa das NDCs analisadas, o tema aparece associado a inclusão, proteção social, qualificação profissional, geração de empregos e atenção territorial – o que reforça a percepção de que a viabilidade das metas depende também de sua legitimidade social e política.
O relatório ressalta ainda que financiamento, tecnologia, fortalecimento de capacidades e instrumentos de mercado continuam sendo fatores decisivos para a implementação das NDCs. Em muitos casos, especialmente entre países em desenvolvimento, permanece uma distância importante entre a ambição declarada e a ambição efetivamente implementável.
Um dos pontos do estudo está na discussão sobre metas líquidas de emissões. O documento alerta que essa lógica não pode ser interpretada como autorização para ampliar emissões fósseis sob a justificativa de compensação ambiental. Assim, a LACLIMA reforça que reflorestamento e conservação são fundamentais, mas não substituem a necessidade de descarbonização estrutural da economia global – ou seja, eliminar petróleo, gás fóssil e carvão.









