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October 18, 2026
Clima

Investimento na transição ecológica é menor que custo da inação climática no Brasil – ClimaInfo

  • Agosto 28, 2026
  • 5 min read
Investimento na transição ecológica é menor que custo da inação climática no Brasil – ClimaInfo

27 de agosto de 2026

transição ecológica
Marizilda Cruppe / Greenpeace

Resumo

  • Custo de manter modelo atual supera investimento em transição ecológica: estudo do CEBRAP e do Instituto ClimaInfo revela que os custos sistêmicos do modelo agroalimentar atual somam entre US$ 410 bi e US$ 526 bi/ano, enquanto a transição do setor exigiria entre US$ 268 bi e US$ 511 bi acumulados até 2050. No setor energético, os custos atuais chegam a US$ 428 bi/ano, contra investimentos de US$ 597 bi a US$ 915 bi para a transição até 2050.
  • Pesquisadores alertam para o risco de “neoextrativismo verde”: sem coordenação entre os setores energético e agroalimentar, o Brasil corre o risco de reproduzir desigualdades históricas sob o selo de sustentabilidade, concentrando os benefícios econômicos e mantendo baixa agregação de valor. Arilson Favareto, do CEBRAP, destaca que os custos da inação já superam os investimentos necessários para uma transição bem-sucedida.
  • A transição integrada deve unir descarbonização e inclusão social: o estudo defende que as decisões sobre energia, alimentos, uso da terra e minerais críticos devem ser tratadas de forma integrada. Para Carolina Marçal, do ClimaInfo, a transição é viável econômica e tecnologicamente, mas depende de vontade política para se tornar justa e beneficiar toda a sociedade.
  • Manter os modelos atuais de produção de energia e agroalimentar no Brasil custa mais caro, ano após ano, do que o total de investimentos necessários até 2050 para promover a transição ecológica nesses setores. Contudo, para que tal transição seja de fato transformadora, é preciso que ocorra em bases justas, de forma coordenada e integrada. Caso isso não aconteça, o Brasil corre o risco de reproduzir modelos econômicos historicamente produtores de desigualdade sob o selo de “sustentabilidade”, criando um neoextrativismo verde.

    É o que revela o estudo “Cenários e custos da transição ecológica no Brasil – As interdependências entre a transição energética e a transição agroalimentar e os riscos de um neoextrativismo verde”, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) e do ClimaInfo. O estudo foi lançado na 4ª feira (26/8).

    A pesquisa aponta que os custos sistêmicos do modelo agroalimentar atual giram entre US$ 410 bilhões e US$ 526 bilhões (R$ 2,1 trilhões a R$ 2,7 trilhões) por ano. Já a transição do setor exigiria um investimento acumulado de US$ 268 bilhões a US$ 511 bilhões (R$ 1,4 trilhão a R$ 2,6 trilhões) até 2050, destaca a Exame.

    No setor energético, os custos sistêmicos atuais são estimados entre US$ 300 bilhões e US$ 428 bilhões (R$ 1,5 trilhão e R$ 2,2 trilhões) por ano. Contudo, os aportes necessários para a transição até 2050 totalizaram algo entre US$ 597 bilhões e US$ 915 bilhões (R$ 3 trilhões e R$ 4,7 trilhões) – o equivalente a cerca de um ano e meio a três anos dos custos sistêmicos do modelo atual, detalha a Página 22.

    O estudo apresenta diferentes caminhos para a transição ecológica brasileira e reforça que as transformações nos sistemas energético e agroalimentar precisam ser pensadas de forma integrada. A análise parte do entendimento de que energia, produção de alimentos, uso da terra, biodiversidade e exploração de minerais críticos fazem parte de um mesmo sistema. Decisões tomadas nessas áreas têm impactos sobre as demais e exigem maior coordenação entre políticas públicas, investimentos e planejamento territorial.

    A análise aponta que adiar uma transição ecológica implica custos adicionais ecológicos, biofísicos, econômicos, sociais e fiscais. “O levantamento  mostra que os custos da inação, de continuar fazendo as coisas como fazemos hoje, já são muito maiores do que os investimentos em uma transição melhor”, destacou Arilson Favareto, pesquisador do CEBRAP e um dos autores do estudo. “Apresentamos alguns caminhos para passar do cenário inercial em que estamos agora, para um cenário mais desejado.”

    Os autores da pesquisa destacam que a comparação de valores não significa que os investimentos na transição seriam recuperados financeiramente nesse período. Ela mostra, porém, a dimensão dos custos econômicos, ambientais e sociais de manter as trajetórias atuais e reforça a viabilidade econômica de uma transformação de longo prazo.

    Um dos principais alertas do estudo é que a transição ecológica não será necessariamente justa e sustentável apenas porque envolve atividades de baixo carbono. Sem coordenação, o Brasil corre o risco de manter uma economia concentrada na exportação de produtos primários, agora incorporando novas atividades associadas à economia verde. O relatório identifica a possibilidade de formação de um padrão de especialização baseado em agro, energia e minerais, caracterizado como “neoextrativismo verde”.

    Nesse cenário, a expansão de atividades necessárias à descarbonização pode reproduzir problemas históricos, como a pressão sobre territórios e recursos naturais, a concentração dos benefícios econômicos e a baixa agregação de valor.

    Por outro lado, o estudo aponta que uma transição conduzida de forma integrada pode representar uma oportunidade para o Brasil combinar descarbonização, regeneração ecológica, inclusão social e diversificação produtiva, transformando a agenda climática em uma estratégia mais ampla de desenvolvimento.

    “A transição é viável do ponto de vista econômico e também tecnológico. O que a gente precisa é ter vontade política para conseguir colocar de pé essa transição e, de fato, fazer com que ela seja justa e traga benefícios para a sociedade como um todo”, Carolina Marçal, coordenadora de projetos do ClimaInfo.

    • alimentos
    • economia verde
    • transição ecológica
    • transição energética

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