Incêndios florestais avançam na Europa e no oeste dos EUA – ClimaInfo
3 de agosto de 2026

Resumo
Depois de incêndios devastadores na Espanha e na França, o epicentro do fogo na Europa está se deslocando para a Grécia. Focos de incêndio se espalham pelo país, enquanto bombeiros se desdobram para conter o fogo nos arredores de Atenas e em várias ilhas gregas.
Em um incidente em Creta, dois helicópteros que atuavam no combate a incêndios se chocaram no domingo (2/8), matando dois tripulantes; outros dois sobreviveram, mas com ferimentos graves. Segundo a Reuters, as autoridades gregas ainda estão apurando as causas do acidente, ocorrido em baixa altitude. Na semana passada, três bombeiros morreram, em Creta e no Peloponeso.
No oeste de Atenas, mais de 400 bombeiros e 21 aeronaves foram mobilizados nas comunidades de Kandili e Agia Skepi para enfrentar as chamas que consomem as florestas de pinheiros. O incêndio, que começou na região vizinha de Viotia, no centro-sul grego, alastrou-se para a Ática, onde vivem quase 4 milhões de pessoas, informam AP e Reuters.
“Estes dias são extremamente difíceis para nosso país”, disse o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis. As condições climáticas extremas e as rajadas de vento “testaram e continuam testando a resiliência dos bombeiros, da Defesa Civil, do governo local, mas também dos cidadãos”, pontuou na Bloomberg.
Meteorologistas ouvidos pela Bloomberg ressaltaram que as mudanças climáticas intensificaram as condições propícias a incêndios. E alertaram que os padrões climáticos favorecem semanas de tempo quente e seco e uma temporada de incêndios que pode se estender até o outono.
Uma análise do Financial Times estima que os incêndios na Europa já custaram mais de 3 bilhões de euros neste ano. Quase meio milhão de hectares – mais de três vezes a área da cidade de São Paulo – foram queimados nos dois primeiros meses da temporada de fogo (junho e julho), com um custo de 3,1 bilhões de euros apenas para os cinco países da zona do euro mais afetados (França, Espanha, Portugal, Grécia e Romênia). O valor supera as estimativas da Comissão Europeia, que previam um impacto médio anual de 2,5 bilhões de euros em toda a União Europeia.
Mas os impactos totais devem ser muito maiores. Seguradoras, empresas e cidadãos ainda estão contabilizando os danos às propriedades e plantações, além dos transtornos ao turismo no auge do verão. Outros custos, como o aumento dos prêmios de seguro, a perda de bens seguráveis, a diminuição do número de turistas e a necessidade de investir no combate a incêndios, surgirão com o tempo.
O fogo também atinge o noroeste dos Estados Unidos. O estado de Washington também sofre com incêndios florestais devastadores, e cerca de 60 mil pessoas receberam ordem de evacuação na região de Spokane. As chamas já destruíram 600 edifícios, incluindo casas e empresas. Não houve registros de feridos ou mortos, mas o episódio já é o pior desastre natural da história da região, segundo a prefeita de Spokane, Lisa Brown.
Segundo a AP, os incêndios em Washington já consumiram cerca de 32 km² até ontem (3/8), enchendo o céu de fumaça e neblina. Já nos vizinhos Oregon e Idaho, um incêndio que persiste há mais de dez dias consumiu quase 1,36 mil km² de pastagens e destruiu mais de 600 casas e outras 800 estruturas. Em Utah, outro incêndio de grandes proporções queimou quase 147 km² na região central do estado, matando mais de 100 cabeças de gado, segundo Bloomberg e Reuters.
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Em tempo: O Serviço Copernicus de Monitoramento da Atmosfera, da União Europeia, lançou uma ferramenta que disponibiliza dados globais sobre emissões relacionadas a incêndios florestais em tempo real. A Fire Emissions Watch reúne informações sobre focos de incêndio, fumaça e emissões de carbono em uma interface interativa. No mapa, é possível perceber a dimensão das chamas em regiões como a bacia do Congo, o noroeste da América do Norte, a ilha de Bornéu, na Indonésia, e a Sibéria russa, com intensidade muito maior do que na Europa, continente que tem recebido mais atenção da imprensa. Como a plataforma mostra, a crise do fogo vai muito além do continente europeu. A notícia é da Exame.
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