Gelo marinho da Antártica no inverno cai para 3º nível mais baixo já registrado – ClimaInfo
Mais uma vez, a Antártica experimentou um inverno com gelo marinho muito aquém da média histórica. Imagens de satélite indicam que a extensão de oceano congelado no continente atingiu neste ano o 3º nível mais baixo já registrado, ficando cerca de 1 milhão de km² abaixo da média de longo prazo. O Guardian destaca que o dado confirma que os quatro anos de níveis mais baixos de gelo marinho antártico ocorreram nos últimos quatro anos.
A extensão de gelo marinho antártico atingiu seu pico em 14 de setembro, com 17,59 milhões de km². Cientistas esperavam que o nível máximo ainda pudesse ser elevado devido à “grande variabilidade potencial” nesta fase do ciclo de gelo marinho no continente. No entanto, os dados indicam que os níveis vêm diminuindo desde então.
A Antártica sofre os impactos das mudanças climáticas de forma dramática. O aumento da temperatura média nas temporadas quentes e fria intensificou a pressão sobre o gelo marinho, que vem registrando déficits sucessivos nos últimos quatro anos. Em junho, a Península Antártica registrou uma onda de calor impressionante, com temperaturas 20°C acima do normal. Já em agosto, quando o gelo marinho deveria estar se expandindo, uma grande área do Mar de Amundsen, ao sul do Pacífico, perdeu gelo.
“Os últimos quatro invernos registraram a menor quantidade máxima de gelo marinho já registrada — isso é um indicativo muito claro de que o sistema mudou”, disse Ariaan Purich, da Universidade Monash, na Austrália. “Este não é mais um evento isolado. Estamos vendo níveis baixos de gelo inverno após inverno, o que sugere que o gelo marinho está se comportando de maneira diferente devido ao aquecimento do nosso clima.”
Lettie Roach, cientista do Instituto Alfred Wegener, da Alemanha, ressaltou ao Carbon Brief que o registro de níveis tão baixos de gelo marinho na Antártica é preocupante. Mas mostrou-se mais cautelosa quanto à relação direta entre o degelo e as mudanças climáticas.
“Em comparação com o Ártico, é menos claro como as mudanças recentes no gelo marinho da Antártica podem ser atribuídas ao aquecimento causado pelo homem ou à variabilidade natural. Precisamos de mais anos de observações para entender melhor se esta é realmente uma mudança estrutural”, argumentou.
Por falar em Ártico, a extensão mínima de gelo do último verão chegou a 4,6 milhões de km² em 12 de setembro, empatando com 2025, 2010 e 2008 como a 10ª menor extensão de gelo marinho já registrada na região. Segundo os meteorologistas, o Ártico foi influenciado por uma zona de baixa pressão na área central, o que trouxe condições mais nubladas e frias, atrasando o início da temporada de degelo e limitando o derretimento da superfície.









