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October 13, 2026
Clima

Flávio Bolsonaro promete revisar papel de órgãos ambientais e liberar fracking – ClimaInfo

  • Outubro 13, 2026
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Flávio Bolsonaro promete revisar papel de órgãos ambientais e liberar fracking – ClimaInfo
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Candidato do PL acusa IBAMA e ICMBio de serem “xiitas” e quer acelerar licenciamento ambiental mesmo sem análise de impacto.

12 de outubro de 2026

stj liberação fracking exploração combustíveis fósseis
jwigley/Pixabay

Resumo

  • Enfraquecimento de órgãos ambientais e licenciamento ainda mais flexível: o plano de Flávio Bolsonaro (PL) prevê revisar o papel de IBAMA, ICMBio e FUNAI, sob a justificativa de “eliminar superposições”, sem detalhar a proposta e com possibilidade de extinção de áreas. No licenciamento, propõe liberação automática caso o órgão não se manifeste em certo prazo (não informado), facilitação para grandes obras, usinas e minas mesmo sem análise de impactos, e a manutenção das condições do empreendimento por 20 anos, com penalização do Estado em caso de mudança.
  • Desmatamento, fiscalização e energia: o plano fala em “zerar o desmatamento ilegal até 2029”, mas não define o que é ilegal, algo que, com uma bancada forte no Congresso, permitiria alterar a lei e “zerar” o problema sem reduzir a perda de floresta. Também propõe mudar o foco da fiscalização para organizações criminosas, sem “criar obrigações” ao produtor, e sinaliza possível perdão de multas e infrações. Na energia, defende o fracking, e as mudanças climáticas nem sequer são citadas no programa.
  • Comparação com Lula e preocupações com o Congresso: Lula e Flávio divergem em temas como o clima (Lula menciona o Acordo de Paris e a transição dos combustíveis fósseis), mas convergem na exploração de petróleo na Margem Equatorial e na reconstrução da BR-319. Especialistas alertam que o novo Congresso, com bancada ruralista ampliada, aumenta o risco de desmonte dos marcos regulatórios ambientais.
  • Para quem se preocupa com o meio ambiente no Brasil, o plano de governo do senador Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República é o terror. Mesmo sem dar atenção ao tema, o candidato sugere mudanças substanciais na política ambiental, alinhada ao desmonte promovido por seu pai, Jair Bolsonaro, no governo passado. Na mira estão os órgãos ambientais federais, como IBAMA e ICMBio, e legislações referentes ao licenciamento ambiental e ao combate ao desmatamento.

    A Folha destaca os principais pontos do plano de Flávio para o meio ambiente em um eventual governo, bem como discursos e manifestações dele antes e durante a campanha presidencial. Sobre o IBAMA e o ICMBio, classificados por ele como “xiitas”, a proposta é revisar o papel desses órgãos, sob a justificativa de “eliminar superposições”, e sinalizando a possibilidade de extinção de áreas. A FUNAI também entra nessa possível revisão.

    Sobre o licenciamento ambiental, a ideia de Flávio Bolsonaro é facilitar um processo “ágil, moderno e com segurança jurídica”. Uma das propostas é permitir o licenciamento automático do empreendimento caso o órgão de controle não se manifeste dentro de um determinado prazo (não informado, aliás). O plano prevê liberação facilitada do licenciamento para “grandes obras, usinas, minas e projetos industriais”, mesmo sem análise sobre seus impactos ambientais e sociais.

    Outro ponto defendido pelo filho de Jair Bolsonaro é a manutenção das condições previstas para um determinado empreendimento. Atualmente, o IBAMA tem autonomia para alterar essas regras periodicamente, considerando as circunstâncias do momento e eventuais necessidades de atualização. A proposta do PL é manter essas regras por 20 anos e penalizar o Estado em caso de alterações antes desse prazo.

    Flávio até fala em combater o desmatamento, mas de forma torta. O plano estabelece a meta de “zerar o desmatamento ilegal até 2029”, mas deixa em aberto a definição de ilegalidade. Dominando a Câmara e o Senado, um eventual governo Flávio Bolsonaro não teria problemas em mudar as definições legais de desmatamento, de forma a abranger praticamente toda a supressão vegetal. Isso permitiria “zerar” o desmatamento ilegal sem reduzir a perda de floresta.

    O plano também defende a fiscalização ambiental contra grilagem e garimpo ilegal, mas propõe mudar o foco, priorizando o combate a organizações criminosas e sem “criar obrigações” ao produtor. Nesse sentido, o programa bolsonarista sinaliza a possibilidade de perdão a multas e infrações ambientais, classificadas como “punição cega”. 

    Não é surpresa que as diferenças entre Flávio Bolsonaro e Lula na seara climática e socioambiental sejam gritantes. Na Bloomberg, Fabiano Maisonnave compara os programas dos dois candidatos e destaca temas como mudanças climáticas — que, aliás, sequer são citadas no plano de governo de Bolsonaro, enquanto Lula traz considerações sobre o Acordo de Paris, as necessidades de mitigação e adaptação e a transição para longe dos combustíveis fósseis.

    Um dos pouquíssimos pontos de convergência entre ambos é a exploração de combustíveis fósseis na Margem Equatorial. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro são entusiastas de projetos de produção de petróleo e gás fóssil, inclusive na região amazônica. Outra convergência é o projeto de reconstrução da rodovia BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), que pode intensificar o desmatamento no sul do Amazonas.

    Ainda em energia, Flávio Bolsonaro defende a extração de petróleo e gás por meio de fraturamento hidráulico (fracking). A técnica é proibida em vários países e foi banida em alguns estados brasileiros por conta do risco de contaminação de rios e aquíferos subterrâneos. No governo Lula, o fracking também é defendido pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, mas isso não avançou.

    Considerando a força da bancada bolsonarista no novo Congresso que tomará posse em 2027, um eventual governo Flávio Bolsonaro pode ser fatal para a proteção ambiental no Brasil. “A bancada ruralista cresceu muito, e tanto a Câmara como o Senado estão muito mais fortes do que estavam no governo de Jair Bolsonaro. Se [Flávio] quiser fazer ruindade eleitoral, vai ter muito mais apoio. Essa é uma preocupação que tenho”, destacou Ricardo Galvão, ex-presidente do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), à Repórter Brasil.

    O novo Congresso também preocupa a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. “É um cenário altamente preocupante. Tanto pelo risco de que marcos regulatórios possam ser todos demolidos, como aconteceu na Argentina, quanto pela postura subserviente e entreguista aos interesses de Donald Trump, ainda mais em um eventual governo Bolsonaro. Isso vai atrapalhar os interesses econômicos, sociais, ambientais do Brasil”, disse à Folha.

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