Falta de emprego e renda impulsiona desmatamento na Amazônia, indica estudo – ClimaInfo
A falta de emprego e renda entre os habitantes da Amazônia contribui para o apoio a atividades econômicas que ignoram os custos ambientais e climáticos, incluindo o desmatamento. É o que aponta o estudo “Rematamento produtivo, conservação e desenvolvimento econômico na Amazônia Brasileira”. Segundo o estudo, os amazônidas convivem com indicadores socioeconômicos inferiores à média nacional, o que cria um cenário propício à priorização de atividades destrutivas em detrimento da conservação ambiental, destacam Rede Onda Digital, g1 e Estadão.
“As 28 milhões de pessoas que moram na região continuam a conviver com indicadores socioeconômicos notavelmente inferiores à média nacional. Em 2021, o PIB real per capita da Amazônia Legal era de R$ 32 mil, quase um terço abaixo dos R$ 44 mil registrados no restante do Brasil. Essa fragilidade econômica está intimamente ligada à escassez de bons empregos”, diz um trecho do estudo.
Por isso, a preservação da floresta precisa abranger a geração de empregos, defende Salo Coslovsky, autor do estudo. Ele é professor associado da Universidade de Nova York e pesquisador do Amazônia 2030, iniciativa de estudiosos brasileiros para a criação de um plano de ação para o desenvolvimento sustentável da região.
O desmatamento na Amazônia teve seu pico na década de 1990. De lá para cá, o discurso de preservação ganhou escala planetária. Contraditoriamente, em nenhum momento o desmate parou, embora tenha diminuído de ritmo. Isso acontece, segundo Coslovsky, porque parte das pessoas da região estão economicamente ligadas a atividades que destroem a floresta, como garimpo, exploração de madeira e criação de gado. E não há a criação de alternativas a isso.
A priorização de atividades destrutivas em detrimento da preservação se reflete no comportamento eleitoral. No governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), o desmatamento na Amazônia passou de 28,5 mil km², registrados no quadriênio entre 2015 e 2018, para 45,6 mil km². Ainda assim, lembra o estudo, Bolsonaro obteve entre 65% e 75% dos votos em Rondônia, Acre, Mato Grosso e Roraima na disputa pela reeleição, além de vencer no Amapá, ainda que por margem apertada.
A reversão dessa perspectiva passa pelo que o pesquisador chama de “rematamento produtivo”, de acordo com a pesquisa: a conversão de áreas já desmatadas e pastagens degradadas em sistemas agroflorestais, baseados em espécies perenes. Essa estratégia teria como métrica de sucesso a geração de emprego e renda, e não apenas a extensão de área recuperada.
O levantamento estima que empreendimentos sediados na Amazônia já faturam US$ 7,2 bilhões (R$ 37,2 bilhões) por ano com produtos ligados a esse tipo de atividade. Um valor que representa apenas 3% de um mercado total estimado em US$ 230 bilhões (R$ 1,2 trilhão).









