Ex-ministros do Meio Ambiente lançam manifesto em defesa das Unidades de Conservação – ClimaInfo
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Documento alerta para risco de enfraquecimento de órgãos ambientais e lembra retrocessos ambientais do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
19 de outubro de 2026

Resumo
Faltando poucos dias para o 2º turno das eleições presidenciais, um grupo de ex-ministros do Meio Ambiente e ex-gestores do ICMBio lançou um manifesto em defesa das Unidades de Conservação (UCs) e do fortalecimento da fiscalização e da proteção do meio ambiente no Brasil. O documento relembra os retrocessos ambientais da (péssima) gestão de Jair Bolsonaro e os esforços do atual governo do presidente Lula (PT) para reconstruir as políticas ambientais desde 2023.
A carta aberta é assinada por sete ex-ministros do Meio Ambiente — Rubens Ricupero, José Sarney Filho, José Carlos Carvalho, Marina Silva, Carlos Minc, Izabella Teixeira e Edson Duarte. E por quatro ex-presidentes do ICMBio — Roberto Vizentin, Cláudio Maretti, Paulo Henrique Carneiro e Adalberto Eberhard.
O texto reforça a importância do ICMBio, criado em 2007 para administrar o sistema de UCs no Brasil. Além de defender a independência e a integridade do órgão ambiental, os signatários cobram do próximo governo que dê estrutura e condições para a continuidade de seu trabalho.
“Nós, que tivemos Unidades de Conservação sob nossa responsabilidade, em diferentes momentos da história, sabemos o quanto é fundamental a construção de uma instituição pública especializada e tecnicamente qualificada para a gestão das Áreas Protegidas e para contribuir para as políticas públicas ambientais, demandando tempo, investimentos, servidores preparados, processos participativos e uma gestão democrática”, destaca o manifesto.
O documento também lembra o desmonte promovido no (des)governo Bolsonaro (2019-2022), que atingiu o ICMBio e o IBAMA. “Essa trajetória sofreu grave ruptura no governo anterior, quando órgãos ambientais foram enfraquecidos, a fiscalização perdeu capacidade, políticas públicas consolidadas foram atacadas e a proteção ambiental passou a ser frequentemente tratada negativamente e como obstáculo ao desenvolvimento.”
A defesa do ICMBio ganhou importância depois que Flávio Bolsonaro (PL), rival de Lula na corrida presidencial, indicou a possibilidade de fundi-lo com o IBAMA e a FUNAI, sob a justificativa de “eliminar superposições”. O candidato também tem histórico de apoio a propostas antiambientais durante seu mandato como senador pelo Rio de Janeiro.
“Há propostas no sentido de rever atribuições e eliminar supostas sobreposições entre instituições. O que é um claro eufemismo para poder enfraquecer os órgãos que executam políticas públicas ambientais, entre os quais ICMBio e IBAMA”, diz a carta, repercutida pel’((o)) eco e O Globo.
As Unidades de Conservação têm sido cruciais para a redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Como anunciado na semana passada, as taxas de desmate nos dois biomas atingiram os menores níveis da série histórica segundo dados do sistema PRODES, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), com reduções de 42% e 24%, respectivamente.
A retomada da fiscalização ambiental também foi decisiva para esses resultados. Entre 2023 e 2026, o IBAMA realizou mais de 76 mil ações de fiscalização em todo o país, lavrando 25,1 mil autos de infração contra a flora, com R$ 11,8 bilhões em multas. O IBAMA também embargou mais de 18,6 mil km² de área, lavrou 15,3 mil termos de apreensão, no valor de R$ 2,6 bilhões, e 4 mil termos de destruição, no valor de R$ 1,26 bilhão.
No mesmo período, o ICMBio lavrou 11,9 mil autos de infração em UCs, com R$ 2,4 bilhões em multas e mais de 5 mil termos de embargo, totalizando mais de 5 mil km² de área embargada.
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Em tempo 1: A votação do 2º turno das eleições presidenciais também pode selar o futuro da Amazônia. Com o avanço do bolsonarismo entre o eleitorado da região, uma possível vitória de Flávio Bolsonaro no domingo (25/10) pode impulsionar um novo — e mais devastador — ciclo de destruição da maior floresta tropical do planeta. O New York Times aborda a situação política na região e os reflexos de uma possível volta da família Bolsonaro ao poder não apenas sobre a Amazônia, mas também sobre a luta contra as mudanças climáticas globais.
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Em tempo 2: A extrema-direita, vitoriosa nas votações deste ano para o Congresso Nacional, considera os Povos Indígenas um obstáculo à exploração econômica dos territórios. Essa é a avaliação de Luiz Ventura Fernández, secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em entrevista à Repórter Brasil, ele afirma que uma vitória de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial pode acelerar projetos que permitem a exploração de Terras Indígenas por terceiros e dificultam novas demarcações. “A perspectiva da extrema-direita é o genocídio, é o desaparecimento, é o descarte dos Povos Indígenas”, pontuou.
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Em tempo 3: Um levantamento da Agência Pública mostrou que a propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro vem apostando em uma estratégia que mistura religião, medo e autopromoção. Temas importantes, como educação, fome, moradia, mobilidade e clima, sequer foram mencionados em suas peças exibidas na TV durante a campanha eleitoral. A Amazônia também é outro tópico solenemente ignorado pelo candidato, o que evidencia que esse e outros pontos não são prioridades de sua campanha presidencial.
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