Entidades indígenas e socioambientais reforçam risco de Flávio Bolsonaro ao clima e ao meio ambiente – ClimaInfo
22 de outubro de 2026

Resumo
Entidades indígenas, indigenistas e socioambientais divulgaram uma carta aberta sobre as eleições presidenciais. Intitulado “2º turno: uma escolha sobre democracia, direitos e políticas socioambientais”, o manifesto apresenta uma análise do legado do governo de Jair Bolsonaro (2019–2022) e aponta temores em relação às propostas de Flávio Bolsonaro, do PL, cuja candidatura é uma continuidade do projeto político de seu pai, como já declarado pelo candidato.
Entre os temas destacados no documento estão o enfraquecimento de órgãos ambientais e indigenistas, o avanço do desmatamento, a violência no campo e as pressões sobre os territórios indígenas. A carta ainda menciona declarações de Flávio Bolsonaro sobre “rever” o papel do IBAMA, do ICMBio e da FUNAI, além de ser contrário à demarcação de TIs, destacam Mídia Ninja e ((o))eco.
O manifesto também defende a participação da sociedade nas decisões governamentais e a proteção dos direitos de Povos Indígenas e Quilombolas e de comunidades extrativistas. Ressalta a importância de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades sociais e ambientais. E convoca os eleitores a refletir sobre o histórico dos candidatos e sobre as consequências de seus projetos para a democracia, os Direitos Humanos e a conservação ambiental, considerando também os efeitos dessas decisões sobre as próximas gerações.
((o))eco destaca um ponto em especial sob ameaça se Flávio for presidente: o monitoramento do desmatamento no Brasil pelos sistemas DETER e PRODES, do INPE. A partir deles, o governo baseia suas ações de controle e combate ao desmatamento não só na Amazônia, mas também no Cerrado e em outros biomas do país. Mas, ao revelar a explosão do desmate, sobretudo na Amazônia, o INPE foi atacado sistematicamente no (des)governo de Jair — o que deve se repetir se seu filho ganhar a Presidência da República.
Por tudo isso, a votação também será um referendo sobre o futuro da Floresta Amazônica, reforça a Agência Pública. “Estamos muito preocupados com os riscos para a Amazônia caso Flávio vença a eleição, porque ele nega as mudanças climáticas”, afirmou Carlos Nobre, uma das maiores autoridades na área e um dos cientistas brasileiros mais conhecidos do mundo. “Se ele for eleito, certamente o desmatamento na Amazônia vai aumentar. Estamos em uma situação muito grave.”
Nas promessas de campanha e em seu programa de governo, Flávio Bolsonaro dá pistas de como subverteria a Constituição, usaria a segurança pública para adotar medidas de exceção e seguiria os passos do pai na destruição da Amazônia, do meio ambiente e da educação. Ninguém poderá dizer que não foi avisado, reforça a Sumaúma, já que seu plano está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Uma das mais recentes falas do candidato da extrema direita à Presidência confirma o que foi escrito. Na 3ª feira (20/10), em Marabá (PA), Flávio Bolsonaro disse que acabaria com o que chamou de “entraves ambientais” para permitir que produtores façam “o que quiserem” em suas terras. Para quem, como senador, é autor de um Projeto de Lei que extingue a reserva legal de vegetação nativa em terras, um pingo é muito mais do que uma letra.
A fala foi alvo de críticas de diversas entidades da sociedade civil, informam g1 e Brasil 247. Para o Instituto Socioambiental (ISA), Flávio Bolsonaro reproduziu “o discurso mais atrasado” sobre a Amazônia, tratando-a como uma área onde pode haver desmatamento para viabilizar o aumento da produção agropecuária. “O valor da Amazônia está na floresta em pé e nos serviços ambientais que ela presta. No contexto das mudanças climáticas, a Amazônia é única no mundo, e tratá-la como uma área qualquer a ser ocupada em um modelo predatório e de baixa inovação é voltar à década de 1970, conhecida como a década da destruição.”
Na mesma linha, a coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti, afirma que o meio ambiente não deve ser tratado como uma questão “ideológica” ou “oportunista”, pois a preservação envolve toda a sociedade. “Recentemente, celebramos a menor taxa de desmatamento na Amazônia desde o início da série histórica, em 1988. Estes bons resultados na queda do desmatamento vistos desde 2023 estão ameaçados pela eleição de um negacionista que vê o meio ambiente como ideologia”, afirmou Cristiane.
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Em tempo: O avanço do garimpo no governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) inundou a Terra Yanomami de armas, destaca a Repórter Brasil. Pelo menos 42 indígenas morreram vítimas de armas de fogo entre 2022 e 2023, segundo o Ministério da Saúde, e mulheres Yanomami dizem que a violência é resquício da invasão garimpeira durante o governo de Jair e temem que a eleição de Flávio Bolsonaro impulsione a atividade ilegal no território.
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