Enquanto cai no Brasil, desmatamento amazônico explode na Bolívia – ClimaInfo
13 de agosto de 2026

Resumo
Parafraseando o clássico de Charles Dickens, a Amazônia vive “Um Conto de Duas Florestas”. No lado brasileiro da floresta, temos o menor desmatamento da série histórica nos últimos 12 meses, resultado da retomada da fiscalização ambiental sob a gestão do presidente Lula depois do caos imposto pelo seu antecessor, o ex-presidente (e atual presidiário) Jair Bolsonaro. Já na Bolívia, a destruição florestal disparou a níveis históricos, impulsionada pelo avanço das atividades agropecuárias e a falta de monitoramento e políticas de controle por parte do governo do país vizinho.
Fabiano Maisonnave e Jennah Haque traçam um panorama do cenário da Bolívia na Bloomberg. Apesar de ser bem menor que o Brasil, o país registrou a segunda maior área de perda de floresta tropical do mundo em 2025.
Até meados de 2000, os dois países mantinham taxas próximas de desmate, mas isso mudou radicalmente no começo do século. Enquanto a taxa de desmatamento no Brasil caiu 59,2% em relação aos níveis de 1987 e 1989, disparou em mais de 256% na Bolívia, segundo o MapBiomas.
A diferença tem explicação. Nos anos 2000, durante a primeira passagem de Lula pela Presidência da República, o desenvolvimento do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) viabilizou uma queda histórica na taxa de desmatamento na Amazônia, sustentada no monitoramento via satélite e na fiscalização in loco.
Depois de quase uma década estagnado, o desmate disparou no (des)governo Bolsonaro, apoiado pela leniência com os criminosos ambientais. O retorno de Lula ao Planalto em 2023 e da fiscalização viabilizou uma nova queda histórica nos últimos anos, fazendo o desmatamento retornar ao patamar dos anos 2010.
Já na Bolívia, apesar de compromissos de governos anteriores com o combate à devastação, isso nunca se traduziu em ações concretas de proteção ambiental. O país não conta com sistemas de monitoramento via satélite nem fiscalização rígida in loco. Isso se intensificou nos últimos anos, diante da crise política e econômica que atingiu o país vizinho.
Agora, sob o governo do direitista Rodrigo Paz, a aposta na soja e em outras commodities agrícolas para impulsionar o crescimento econômico ampliou a pressão da fronteira agropecuária sobre as áreas florestais que restam na Bolívia. O governo alega que quer proteger a Amazônia, mas sem restringir a atividade econômica. Mas, por ora, o foco está totalmente na economia.
A extinção do Ministério do Planejamento boliviano, por exemplo, deixou órfã a gestão de políticas de combate ao desmatamento e a incêndios florestais no país, sem sinalização de quem vai assumi-las. Aliás, não se sabe sequer se elas vão prosseguir.
A explosão do desmatamento na Amazônia boliviana compartilha alguns personagens importantes da destruição no lado brasileiro. A família Maggi Scheffer, dona do Grupo Bom Futuro no Brasil, também possui propriedades no lado boliviano da fronteira. E vem sinalizando entusiasmo com os planos do governo da Bolívia para ampliar a produção agropecuária.
Um dos sócios do Grupo Bom Futuro, Eraí Maggi Scheffer, conhecido como “rei da soja”, não apenas é investidor, mas também articulador entre empresários e lideranças políticas do Mato Grosso e do departamento boliviano de Santa Cruz. O interesse seria “exportar” o exemplo do Mato Grosso, onde a família Maggi construiu fortuna com a soja avançando sobre a floresta, como um modelo para a indústria agropecuária boliviana.
- agronegócio
- Amazônia
- Bolívia
- desmatamento
- soja








