Elite brasileira vê Amazônia como fronteira barata para expansão econômica, diz ex-diretor da ONU – ClimaInfo
O ex-subsecretário-geral da ONU, Achim Steiner, avalia que a elite brasileira vê a Amazônia como uma “fronteira barata” para a expansão econômica. A visão é a mesma para os outros países da região, segundo ele, o que torna difícil uma mudança estrutural. “Isso é o que o dinheiro faz. O dinheiro busca o curto prazo, e a Amazônia é como um prêmio de loteria de curto prazo“, disse à Folha.
Steiner também é ex-diretor dos programas da ONU para meio ambiente (PNUMA) e desenvolvimento (PNUD). Para ele, os investimentos na região amazônica necessitam levar em conta as características do lugar, com adaptabilidade à realidade da floresta. Grandes obras de infraestrutura na Amazônia impactam, invariavelmente, as comunidades tradicionais. E regiões de fronteira agrícola, como o sul do Amazonas, Rondônia, Acre e Mato Grosso, são também arcos de desmatamento.
Pesquisador sênior da Universidade de Oxford, Steiner avalia que há uma “batalha por sobrevivência” na Amazônia e que é preciso discutir, do ponto de vista da viabilidade econômica, a infraestrutura ecológica na região.
Quanto à COP30, o especialista afirma que a conferência ficará nos livros de história como um momento em que países não se dobraram ao boicote de Donald Trump a assuntos de multilateralismo e sustentabilidade. “O mundo disse: Estados Unidos, você pode não querer fazer parte disso, mas o ‘trem’ está seguindo em frente. Os Estados Unidos não apareceram. Todo o resto do mundo apareceu”, disse.
Outro destaque foi o crédito ao Brasil pela proposta do roteiro global para a eliminação gradual de combustíveis fósseis, que deve ser apresentado até a COP31, na Turquia, em novembro, informa A Crítica.









