El Niño ganhará força rapidamente, aumentando chances de eventos extremos – ClimaInfo
5 de julho de 2026

Resumo
O El Niño já está em vigor, mas ainda não com força suficiente para influenciar o clima no planeta – a gravidade da recente onda de calor que matou milhares na Europa foi associada por especialistas exclusivamente às mudanças climáticas. Mas uma nova análise da Organização Meteorológica Mundial (OMM) mostra que o fenômeno caminha a passos largos para se tornar forte nos próximos meses. O que promete ampliar ainda mais a ocorrência e a força de eventos extremos, já turbinados pela crise do clima.
A atualização mensal global sazonal do clima da OMM aponta para “um rápido desenvolvimento para um forte El Niño no período de julho a setembro“. A agência meteorológica da ONU classifica o fenômeno como fraco, moderado, forte ou muito forte. O que significa que está previsto que o El Niño deste ano atinja pelo menos o terceiro nível mais alto em quatro, explica a AFP. – ao menos por enquanto.
As projeções dos principais centros meteorológicos do mundo indicam um aquecimento expressivo das águas do Pacífico equatorial, especialmente nas porções central e leste do oceano, onde o El Niño se origina. Em algumas áreas usadas para monitorar o fenômeno, a temperatura da superfície do mar pode ficar mais de 2°C acima da média.
Segundo a OMM, os modelos apresentam resultados semelhantes, aumentando a confiança de que o episódio será classificado como forte, destaca o g1. E a tendência é que o El Niño continue se intensificando ao longo deste semestre e atinja o pico entre novembro e fevereiro de 2027.
Diante desse cenário, a agência da ONU está alertando governos e organizações humanitárias para que se preparem para eventos climáticos extremos, o que inclui ondas de calor, secas e chuvas intensas, informa a Al Jazeera. “Previsões sazonais antecipadas e alertas precoces são vitais para salvar vidas e atenuar o impacto em nossas economias e comunidades”, destacou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.
Desde 2006, uma sequência de episódios de El Niño vem mudando cada vez mais o clima do planeta, que já está mais quente por causa das emissões de gases de efeito estufa, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis. Mesmo quando considerados fracos ou moderados, esses fenômenos acontecem em um planeta aquecido, ampliando a frequência e a intensidade de eventos extremos.
Folha, Terra, Estado de Minas, UOL e Reuters também repercutiram a atualização da OMM sobre o El Niño.
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Em tempo: O governo federal deve elevar sua projeção de inflação deste ano por causa dos efeitos do El Niño, segundo a secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire. “Em termos do IPCA, a nossa projeção está com viés de alta”, disse Débora ao Valor. “Na última [grade de parâmetros macroeconômicos] estávamos com 4,5%, revisamos para cima e [ela] continua com viés de alta para a próxima grade, por causa do El Nino e de questões estruturais da oferta”, explicou.
De olho no El Niño, na semana passada o Ministério da Agricultura criou um grupo de trabalho, com a participação do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), para avaliar os impactos do fenômeno e propor estratégias e medidas de mitigação, adaptação e proteção ao produtor rural. O colegiado deverá identificar regiões e cadeias produtivas mais vulneráveis aos efeitos do El Niño, como as culturas de soja, milho, trigo, feijão, cana, café e mandioca, informa a Globo Rural.
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