El Niño de 2024 expôs à seca quase 40% das áreas habitadas da Amazônia – ClimaInfo
Enquanto o El Niño mais forte em mil anos se forma no Pacífico, pesquisadores ainda analisam os impactos do último fenômeno na Amazônia, entre 2023 e 2024. Um levantamento do MapBiomas mostra que mais de um terço (38%) das ocupações humanas na região amazônica tiveram alta exposição à seca no trimestre de setembro a novembro de 2024. Das 5.673 localidades registradas pelo IBGE no bioma, 2.172 sofreram impactos severos da estiagem.
A análise cruzou dados de redução da superfície de água e de precipitação, gerados pela rede MapBiomas, com as informações do IBGE sobre a ocupação humana na Amazônia. Entre as localidades analisadas estão cidades, vilas, núcleos urbanos, povoados, lugarejos, núcleos rurais, comunidades indígenas e quilombolas e agrovilas de projetos de assentamento, entre outras categorias. As cinco localidades com os maiores déficits de precipitação foram São Francisco e Apuí (AM), Jardim do Ouro (PA), São Paulo (AM) e Monte Real (MT).
A redução da superfície de água na Amazônia no auge do último El Niño indica o impacto do fenômeno no bioma. Segundo o levantamento, entre setembro e novembro de 2024, essa superfície ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média histórica registrada entre 1985 e 2025. No mesmo período, a temperatura máxima ficou 2,6°C acima da média histórica, e o volume de chuvas foi 27% inferior à média histórica do bioma.
“A redução de disponibilidade de água é um dos efeitos associados ao conjunto de condições observadas durante o El Niño na Amazônia. Menos chuva e temperaturas mais elevadas aumentam a demanda evaporativa na atmosfera, favorecendo a perda de água do solo e o estresse hídrico da vegetação”, explicou Bruno Ferreira, pesquisador do IMAZON e da equipe de Amazônia do MapBiomas. “A seca se manifesta na redução dos níveis dos rios, com consequência para o transporte, o acesso à água, a pesca e outras atividades que dependem dos sistemas fluviais.”
Os resultados do estudo podem ajudar a prever impactos potenciais do “Super El Niño”, que está a caminho de ser o mais forte já registrado. O Valor destaca projeções que estimam chuvas abaixo da média entre setembro e novembro de 2026, com temperaturas até 1oC acima do normal na região.
Agência Brasil, Canal Rural, CNN Brasil, Correio Braziliense, Estadão, Neo Mondo e Pará Terra Boa, entre outros, também repercutiram a análise do MapBiomas sobre a seca na Amazônia durante o último El Niño.









