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April 17, 2026
Clima

Corrente oceânica que regula clima global poderá enfraquecer mais do que o previsto – ClimaInfo

  • Abril 17, 2026
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Corrente oceânica que regula clima global poderá enfraquecer mais do que o previsto – ClimaInfo

A corrente oceânica AMOC (sigla em Inglês para Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico) está enfraquecendo mais do que o previsto, prevê  um novo estudo publicado na revista Science Advances. Vital para o movimento das águas oceânicas, o sistema tem um impacto crucial na distribuição do calor no planeta. Portanto, uma mudança drástica na corrente pode provocar grandes alterações no clima.

Cientistas já sabiam que a AMOC está em seu ponto mais fraco em 1.600 anos por conta da crise climática. Mas a média das previsões dos modelos usados pelo IPCC – o painel científico da ONU sobre mudanças climáticas – é de uma desaceleração de 32% do sistema até 2100, em um cenário de emissões intermediárias, informa o g1.

Contudo, o estudo da Universidade de Bordeaux chegou a uma estimativa de 51% de desaceleração, com margem de erro de 8 pontos percentuais. A diferença está na metodologia: uma das questões é a representação da salinidade da superfície do Atlântico Sul como mais baixa do que de fato é, o que faz a circulação parecer mais estável. Ao corrigir esse ponto e adotar novas metodologias em modelos climáticos, o enfraquecimento projetado aumentou, explica o Daily Mail.

A situação já é grave e pode piorar. Isso porque os modelos usados na pesquisa não incorporaram o derretimento da calota de gelo da Groenlândia, que está injetando água doce no oceano e pode acelerar ainda mais o processo. Os autores reconhecem essa limitação e apontam que estudos futuros devem considerá-la.

O colapso da AMOC alteraria a faixa de chuvas tropicais, mergulharia a Europa Ocidental em invernos extremamente frios e verões mais secos e aumentaria o nível do mar de 50 a 100 cm no Atlântico.

Stefan Rahmstorf, professor do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK), estuda a AMOC há 35 anos e afirmou ao Guardian que um colapso deve ser evitado “a todo custo”. “Eu defendia isso quando pensávamos que a probabilidade de um colapso da AMOC era de talvez 5% e, mesmo assim, dizíamos que esse risco era muito alto, dados os impactos massivos. Agora parece ser superior a 50%. As mudanças climáticas mais dramáticas e drásticas que vimos nos últimos 100.000 anos da história da Terra ocorreram quando a AMOC mudou de estado”, reforçou.

Outro estudo, publicado na Communications Earth & Environment, aponta que o colapso da corrente levaria o Oceano Atlântico a liberar dióxido de carbono. A liberação de CO2 acrescentaria 0,2°Cà temperatura média do planeta, informam IFLScience, Olhar Digital e O Cafezinho. As consequências seriam catastróficas, em especial, para a Europa, África e Américas.

“O oceano tem sido nosso maior aliado, absorvendo um quarto das emissões de CO₂ da economia humana. Um colapso da AMOC poderia transformar o Oceano Austral de um sumidouro em uma fonte de carbono, liberando vastas quantidades de dióxido de carbono e alimentando o aquecimento global. Quanto mais CO₂ houver em nossa atmosfera no estágio do desligamento, maior a probabilidade de aquecimento adicional. Simplificando, o aumento das emissões hoje aumenta o risco de uma resposta climática mais forte no futuro”, disse o coautor do estudo, Johan Rockström.

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Celia Mello

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