Chefe da IEA: crise no Golfo Pérsico reforça transição para longe dos combustíveis fósseis – ClimaInfo
26 de abril de 2026

A crise do petróleo desencadeada pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã mudou para sempre a indústria de combustíveis fósseis. Segundo Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), não há como voltar atrás nesta crise, que terá consequências permanentes para os mercados globais nos próximos anos.
Em entrevista ao Guardian, Birol – uma das vozes mais influentes junto aos governos em todo o mundo – afirmou que um dos principais efeitos do conflito foi a perda da confiança dos países nos combustíveis fósseis e a consequente redução da demanda por eles.
Os preços elevados dos combustíveis fósseis podem levar países em desenvolvimento a recorrer ao carvão, mas Birol lembrou que a energia solar é competitiva frente ao carvão, com custo mais barato. “Nunca ouvi dizer que alguém se arrependeu”, disse ele. “Não vejo nenhuma desvantagem para a energia renovável”.
Os impactos do fechamento do Estreito de Ormuz não se resumem a petróleo e gás. Setores como de fertilizantes, alimentos, hélio, software também foram prejudicados e continuarão em crise se o estreito for reaberto, informa o Oil Price. “Ainda não consigo entender como o mundo foi pego de surpresa, a ponto de a economia global ficar refém de um estreito de 50 km”, pontuou o especialista.
Segundo o Estadão, a cada mês que a região permanece fechada, o mundo deixa de receber 7 milhões de toneladas de gás natural liquefeito (GNL), o equivalente a 2% de sua oferta anual. O Globo destaca avaliação do vice-presidente da S&P Global, Daniel Yergin, que considera a crise no Estreito de Ormuz “a maior disrupção energética já vista”.
Para Paul Sankey, presidente da Sankey Research, com o estreito fechado por mais de 40 dias, a falta de novos suprimentos não pode mais ser ignorada. “Nos próximos meses, infelizmente, essa situação vai se deteriorar bastante”, afirmou no Fortune.
Com a diminuição do fluxo de petróleo do Oriente Médio, os países estão explorando suas reservas e os números estão ficando assustadores, complementa o especialista. A região mais afetada é a Ásia, que costumava receber quatro quintos das exportações do Golfo. Nos mercados asiáticos, a gasolina já se aproxima de US$ 120 o barril, frente a US$ 80 antes da guerra. O diesel subiu de US$ 93 para US$ 175 e o querosene de aviação de US$ 94 para US$ 200. No Brasil, o preço do diesel que sai das refinarias da Petrobras subiu 25% desde o início da guerra.
A Europa tem subsidiado o consumo, mas o recurso deve pesar cada vez mais, com o contínuo aumento dos preços dos produtos. Já a temporada de férias que se aproxima nos Estados Unidos, que aumenta o fluxo de viagens rodoviárias, deve pressionar ainda mais a situação no país.
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Em tempo: Os ministros do Meio Ambiente do G7, reunidos em Paris, decidiram excluir as mudanças climáticas da agenda de reuniões. A decisão foi tomada para apaziguar possíveis conflitos com a agenda antiambiental do governo Trump, conta o RFI. A ministra do Meio Ambiente da França, Monique Barbut, argumentou que o grupo preferiu “priorizar a unidade do G7” e se concentrar “em questões menos controversas”. O gabinete de Barbut afirmou que a reunião se concentrará na conservação dos oceanos, no financiamento da biodiversidade e na transformação de áreas áridas em desertos.
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