Cerrado perdeu quase 14 milhões de hectares de vegetação nativa perto de rios – ClimaInfo
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Perdas ocorreram em faixa de até 500 metros de rios e outros cursos d’água e representam quase 27% da vegetação perdida pelo bioma desde 1985.
12 de outubro de 2026

Resumo
Dados da Coleção 11 do MapBiomas revelam que mais de 25% da vegetação nativa perdida pelo Cerrado de 1985 a 2025 estava localizada em até 500 metros de rios e outros cursos d’água. Nessa faixa de terreno, a perda total de vegetação é de 13,9 milhões de hectares. A perda dessa vegetação contribui para tornar mais seco o Cerrado, considerado a “caixa d’água” do Brasil por abrigar as nascentes de rios que alimentam seis grandes bacias hidrográficas do país.
Segundo o MapBiomas, na faixa de até 30 metros dos rios, a área de vegetação nativa caiu 14% nas últimas quatro décadas. Em 2025, pastagem e agricultura ocupavam juntas quase um quinto (18%) dessa faixa, o que mostra como o avanço dessas atividades ameaça as matas ciliares, fundamentais para proteger o solo, reduzir a erosão e evitar que sedimentos cheguem aos cursos d’água.
As bacias do Alto Tocantins e Araguaia registraram as maiores perdas de vegetação nativa em até 500 metros da rede de drenagem. No caso do Alto Tocantins, a vegetação passou de 9,7 milhões de hectares para 6,8 milhões; já no Araguaia, caiu de 7,8 milhões para 5,1 milhões. Juntas, as duas bacias responderam por 41% de toda a redução de vegetação nativa registrada na faixa de até 500 metros dos rios do Cerrado.
“A redução dessa cobertura [vegetal] pode aumentar o assoreamento, afetar a qualidade e a disponibilidade de água e deixar a paisagem mais vulnerável a eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas”, explicou Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM e membro da equipe Cerrado do MapBiomas.
No Cerrado como um todo, a perda líquida de vegetação nativa entre 1985 e 2025 ficou em 51,7 milhões de hectares (-34%), sendo que a formação savânica foi a mais afetada, com 34 milhões de hectares a menos (-41%). Em 2025, a vegetação nativa cobria 49,6% do território do bioma.
Os dados do MapBiomas também mostram a expansão da área de agropecuária, que passou de 46,7 milhões de hectares para 97,9 milhões, ocupando quase metade (48,9%) da extensão territorial do bioma. A agricultura teve aumento de 24,7 milhões de hectares no período, chegando a 29,7 milhões de hectares em 2025. Nesse mesmo ano, o Cerrado concentrava 49,2% da área de soja de todo o Brasil.
A maior parte da perda de vegetação nativa para agricultura aconteceu na região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia): 81%. A região também respondeu por 37% da redução de vegetação nativa entre 1985 e 2025 e por 66% dos 10,5 milhões de hectares de redução registrados no bioma entre 2015 e 2025. Em 2025, o MATOPIBA reunia 48% da vegetação nativa remanescente do Cerrado.
Considerando os estados, o Piauí tinha em 2025 a maior proporção de cobertura do Cerrado por vegetação nativa, com 78%, com São Paulo na outra ponta, com a menor proporção, com 15%. Seis dos 13 estados com área do Cerrado mantinham mais da metade de sua porção no bioma coberta por vegetação nativa no ano passado.
Agência Brasil, CNN Brasil, Correio Braziliense, Exame, Neomondo e ((o)) eco, entre outros, repercutiram os dados do MapBiomas sobre o Cerrado.
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