Campanha de desinformação bolsonarista tenta culpar Lula por fogo na Amazônia – ClimaInfo
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Publicações recorrem a dados enganosos para afirmar que o governo Lula teve mais devastação do que a gestão de Jair Bolsonaro, o que é falso.
15 de outubro de 2026

Resumo
É verdade que o Amazonas está sofrendo com grandes incêndios florestais. Os focos no estado mais do que dobraram neste ano em relação a 2025. Ainda assim, o número é 12% menor do que a média histórica dos registros do Programa Queimadas, do INPE, iniciado em 1998. E uma quantidade maior de incêndios, turbinados pela seca já alimentada pelo “Super El Niño”, está muito longe de ser uma derrubada maior da Floresta Amazônica no governo Lula do que a que ocorreu no (des)governo de Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022.
Os dados oficiais revelam que o desmatamento na Amazônia atingiu, em agosto, o nível mais baixo em mais de uma década. Comparando os dados até o momento, no governo Lula houve 41% menos desmatamento do que na gestão Bolsonaro, como mostrou o Observatório do Clima.
No entanto, segundo as redes bolsonaristas, a Amazônia está sendo destruída como nunca, e a culpa é do presidente Lula, do PT, que tenta a reeleição, informam DW e Folha, em (mais) um show de desinformação e fake news — ou melhor, de mentiras “disfarçadas” de verdade, explica o Fakebook.eco. “Onde estão os artistas da esquerda agora? A Amazônia está sendo destruída pelas queimadas, e o governo Lula não faz absolutamente nada,” diz, por exemplo, uma voz gerada por inteligência artificial em um vídeo que circula na internet.
Um monitoramento do relatório Barômetro, desenvolvido pela FALA, agência brasileira de estratégia climática que integra a coalizão global Ação Climática Contra a Desinformação, mostra que os políticos conservadores (leia-se “bolsonaristas”) do Amazonas têm sido os mais vocais, destaca a AP. A análise examinou 165 postagens sobre incêndios e fumaça no estado, feitas por 41 políticos, e constatou que quase 55% delas eram de direita.
Ao longo das semanas, as publicações pessoais deram lugar a disputas políticas, com políticos locais reivindicando o mérito pelos esforços de combate aos incêndios ou acusando as autoridades de omissão. “A mesma questão serve simultaneamente como um alerta de saúde pública, uma agenda de política ambiental e uma ferramenta de campanha”, diz o relatório da FALA.
Não está claro quem pode ter iniciado os incêndios ou quais seriam as respetivas motivações. Contudo, após um sobrevoo a áreas em chamas próximas a Manaus, capital do Amazonas, no fim de semana, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, disse que há sinais evidentes de ação criminosa.
Sendo assim, diante das propostas antiambientais e do negacionismo climático do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, não é muito difícil suspeitar de quem está se aproveitando da estiagem na Amazônia e do fato de Flávio ter terminado o 1º turno das eleições à frente de Lula para tacar fogo — e o terror — na região. Uma suspeita derivada do que aconteceu nas urnas em 4 de outubro.
Os resultados mostram que Flávio Bolsonaro venceu o presidente Lula na maioria das cidades que registram os maiores índices de desmatamento, queimadas e garimpo na Amazônia Legal, mostra O Globo. Dos 21 municípios que figuram nos três rankings — alguns aparecem em mais de um —, Flávio venceu em 15, pouco mais de 70%, e Lula venceu em 6.
Para combater as chamas no Amazonas, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) está ampliando sua atuação no estado, reforçando o efetivo já enviado pelo governo federal, informam A Crítica e Brasil 247. Até 21 de outubro, o ministério enviará ao estado, por meio da Força Nacional de Segurança Pública, mais 29 bombeiros e 9 viaturas. Com o reforço, a mobilização do MJSP no Amazonas chega a 160 profissionais.
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) abriu um inquérito civil para apurar as causas dos incêndios florestais registrados entre domingo e 3ª feira (11 a 13/10) em Autazes, na Região Metropolitana de Manaus, que figura entre os municípios brasileiros com mais focos de incêndio no início de outubro, destaca o g1. O MPAM notificou o prefeito Thomé Neto (PP) para que informasse se a prefeitura autorizou queimadas no município em setembro e outubro deste ano.
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Em tempo: Além das fake news, a campanha de Lula tem de lidar com um possível boicote da Meta, responsável por Instagram, Facebook, Threads e WhatsApp. Um levantamento da CTRL+Z ao qual a Agência Pública teve acesso documentou mais de mil casos de restrições e banimentos nas plataformas da empresa na primeira quinzena de outubro, dos quais 22% envolvem contas ou publicações censuradas sem explicação. Dentre esses conteúdos, a maior parte (54%) foi classificada como de posição política indeterminada, isto é, não era possível identificar se eram favoráveis a um candidato específico. Mas dentre as postagens que foram restritas pela Meta e puderam ser classificadas, nove em cada dez eram pró-Lula ou conteúdos progressistas
Segundo o documento, a Meta tem removido publicações, desativado contas e limitado o alcance de conteúdos sem justificativas claras ou sem oferecer mecanismos acessíveis de contestação. O tipo mais frequente é a perda de alcance, com 356 ocorrências, seguida por restrições de repostagem (163), restrições de conta (125), banimentos de publicações (119) e banimentos de contas (116). O levantamento também identificou 101 casos classificados como indeterminados, além de bloqueios de conta (40), redução de visibilidade nas buscas (38), restrições de comentários (36), banimentos relacionados a comentários (22), restrições de impulsionamento (14) e comentários ocultados (13).
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