Calor extremo e seca afetam resultados financeiros de empresas europeias – ClimaInfo
23 de agosto de 2026

Resumo
Uma em cada dez empresas europeias com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão mencionou calor extremo, seca ou incêndios florestais em suas teleconferências de resultados do 2º trimestre. É um percentual recorde, segundo dados da plataforma de inteligência de mercado AlphaSense, divulgados pelo Financial Times.
O número de empresas que relatam o impacto de condições climáticas extremas em seus negócios aumentou consideravelmente devido às ondas de calor extremo que vêm atingindo a Europa neste verão no Hemisfério Norte. O que forçou os executivos a abordar os impactos climáticos diretamente com os investidores, destaca o Capital Reset.
O clima extremo impulsionou a demanda por alguns produtos no continente, como piscinas, ar-condicionado, protetor solar, bombas de água subterrânea e geradores de eletricidade. Por outro lado, interrompeu atividades de empresas de serviços públicos, do setor agrícola e de prestadores de serviços de infraestrutura, que enfrentam maiores riscos operacionais e redução na produtividade da mão de obra.
Outro setor bastante afetado é o de transporte hidroviário. Navios de carga que transportam produtos químicos, petróleo e outras mercadorias para Roterdã, na Holanda, pelo rio Reno, cujo nível caiu drasticamente, estão sendo carregados com apenas 30% da capacidade para evitar que encalhem. Isso significa que os operadores precisam pagar por cerca de 100 barcaças adicionais por semana e, ainda assim, não conseguem transportar tudo o que levavam antes, explicam Financial Times e Valor.
Especialistas de diversas instituições estimam que a seca repentina neste ano deverá provocar, no curto prazo, um impacto econômico de pelo menos 50 bilhões de euros (R$ 300 bilhões), valor que poderá subir significativamente se a escassez de água se prolongar. No entanto, o custo total do calor deste verão provavelmente será muito maior, podendo chegar a 180 bilhões de euros (R$ 1 trilhão), segundo um banco. A título de comparação, equivale a quase 10% do PIB do Brasil em 2025, que foi de R$ 12,7 trilhões, segundo o IBGE.
A seca também aumentou as preocupações sobre a capacidade da Europa de sustentar a rápida expansão de data centers. Mais de um terço dos 3 mil centros de dados europeus encontram-se em áreas sujeitas a estresse hídrico alto ou extremamente alto, segundo análise do centro de estudos World Resources Institute (WRI).
Diante desse cenário, surge uma pergunta essencial: quem pagará a conta dos prejuízos causados pelos eventos climáticos extremos? De acordo com a Reuters, como a maior parte dessas perdas econômicas não está segurada, esse custo recairá sobre os cofres públicos. O que significa para toda a população da Europa.
Embora a dimensão atual do impacto fiscal seja pequena, há um consenso crescente de que ele só tende a aumentar em um continente que é o que aquece mais rapidamente no mundo. Eventos extremos causaram perdas econômicas estimadas em € 822 bilhões (R$ 4,9 trilhões) na União Europeia entre 1980 e 2024, de acordo com a Agência Europeia do Ambiente. E um quarto desse prejuízo ocorreu apenas nos últimos quatro anos.
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