Cai a quantidade de rios da Mata Atlântica com água de boa qualidade – ClimaInfo
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De 162 pontos monitorados pela SOS Mata Atlântica, só cinco tiveram classificação boa; falta de saneamento é gargalo para melhora de índices.
22 de março de 2026

O Dia Mundial da Água foi celebrado nesse domingo (22/3). Pouco houve a comemorar no que toca à qualidade da água dos rios da Mata Atlântica.
O número de rios do bioma com água de boa qualidade em 2025 caiu em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica, publicado na 5ª feira (19/3). O estudo aponta a falta de saneamento como principal obstáculo para mudar o quadro, destacam ((o))eco e Folha.
O Índice de Qualidade da Água (IQA), produzido pelo programa Observando os Rios (desenvolvido pela fundação), aponta um cenário de estagnação em patamar negativo nos últimos anos. Dos 162 pontos monitorados em 2025 (115 em comum com os locais avaliados em 2024), apenas cinco obtiveram classificação boa (3%), enquanto 127 foram apontados como regulares (79%), 25 como ruins (15%) e 5 como péssimos (3%).
Em 2024, dos 145 pontos monitorados, 11 apresentaram qualidade boa (8%); 109, regular (75%); 20, ruim (14%); 5, péssima (3%). Nenhum ponto analisado atingiu a qualidade ótima, situação que se repetiu no ano passado.
Para fazer o novo retrato, de janeiro a dezembro de 2025, foram realizadas 1.209 análises em 128 rios e corpos d’água, localizados em 86 municípios de 14 estados do país. O trabalho de monitoramento, coordenado pela SOS Mata Atlântica, contou com a atuação de 133 grupos voluntários.
Segundo a fundação, o investimento no tratamento de efluentes, além de sistemas alternativos e soluções baseadas na natureza, é o caminho para melhorar esse quadro, explica O Globo. E apesar da piora nos resultados gerais, alguns bons exemplos já podem ser observados.
No Morro do Querosene, na capital paulista, um tanque de evapotranspiração (modelo que utiliza solo, plantas e microrganismos para filtrar e decompor resíduos) melhorou o tratamento do esgoto lançado na natureza. O rio Betume, em Pacatuba, Sergipe, apresentou melhora e passou da classificação regular para boa, enquanto o rio Capivari, em Florianópolis, Santa Catarina, passou de ruim para regular. Em ambos, novas estruturas de saneamento contribuíram para a melhora da qualidade da água.
“A sociedade toda perde com a falta de saneamento básico, os ecossistemas da Mata Atlântica perdem. A ausência do tratamento de esgoto significa que as pessoas podem ficar doentes com o contato ou a ingestão dessa água de má qualidade”, diz Gustavo Veronesi, coordenador do programa Observando os Rios.
Além da falta de saneamento básico, o desmatamento de matas ciliares e de áreas de nascentes é outro problema grave. Apesar de haver leis ambientais que obrigam o poder público a proteger esses territórios, há um passivo histórico no país, especialmente na Mata Atlântica, que resguarda apenas 24% da cobertura florestal original, em meio ao crescimento desordenado das áreas urbanas.
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Em tempo: Uma tecnologia desenvolvida pela startup brasileira Infinito Mare propõe uma abordagem baseada na própria dinâmica dos ecossistemas aquáticos para recuperar rios e lagos poluídos, informa o Um só planeta. Batizada de Caravela, a solução consiste em uma estação flutuante inteligente que monitora e ajuda a recuperar ambientes aquáticos. O sistema estimula o crescimento de algas nativas, capazes de absorver poluentes, captar carbono e aumentar a oxigenação da água. Periodicamente, as algas são retiradas para remover as impurezas acumuladas e permitir análises que indicam a qualidade da água e os tipos de contaminantes presentes.
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