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October 14, 2026
Clima

Bolsonaristas ameaçam invadir Terras Indígenas se Flávio Bolsonaro ganhar eleição – ClimaInfo

  • Outubro 14, 2026
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Bolsonaristas ameaçam invadir Terras Indígenas se Flávio Bolsonaro ganhar eleição – ClimaInfo
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Caso mais emblemático ocorreu na TI Apyterewa, que tem longo histórico de violência e viveu pico de desmatamento no governo Jair Bolsonaro.

13 de outubro de 2026

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Bruno Peres/Agência Brasil

Resumo

  • Fazendeiros ameaçam invadir TI Apyterewa após 2º turno: áudios reunidos pela Folha mostram fazendeiros planejando invadir a TI Apyterewa, no Pará, no dia 25 de outubro, data do 2º turno, caso Flávio Bolsonaro seja eleito. Mensagens de áudio relatam o aumento da circulação de veículos e a compra de materiais para preparar invasões, e orientam os indígenas a deixarem a região.
  • Incêndios suspeitos disparam no território: órgãos de inteligência apuram se a recente onda de incêndios na TI foi causada propositalmente. Segundo o Programa Xingu, com dados do INPE, os focos passaram de 41 em julho para 626 em agosto e 1.007 em setembro. Os fazendeiros esperam que Flávio Bolsonaro, se eleito, e o governador eleito do Pará, Dr. Daniel (Podemos), retirem o território dos Parakanãs.
  • Governo reforça desintrusão, mas histórico de violência preocupa: o Comitê de Desintrusão do governo Lula deliberou pelo reforço de efetivo na área. O desmatamento na TI saltou de 18,9 km² em 2018 para o recorde de 102,2 km² em 2022, sob Bolsonaro, e caiu para 20,6 km² em 2023, sob Lula. A desintrusão, determinada pelo STF em 2020, mas não cumprida por Bolsonaro, começou em 2023, com Lula, e já registrou um servidor da FUNAI baleado e um contratado do IBAMA morto em 2025.
  • A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) ao fim do 1º turno das eleições presidenciais já atiçou os criminosos de plantão, certos da impunidade caso o filho de Jair Bolsonaro seja eleito. Em áudios e relatos reunidos pela Folha, fazendeiros dizem que invadirão territórios indígenas na Amazônia caso Flávio vença o pleito no dia 25 de outubro.

    O caso mais emblemático até agora aconteceu no Pará, na TI Apyterewa, próxima ao rio Xingu, que tem um longo histórico de violência e viveu um pico de desmatamento durante o (des)governo de Jair Bolsonaro. Pecuaristas chegaram a construir uma pequena cidade dentro da Área Protegida, conhecida como Vila Renascer.

    Oito áudios revelam ameaças de invasão ao território onde vivem os Parakanãs — Povo de recente contato com não indígenas e, por isso, mais vulnerável — previstas para o próximo dia 25 e citam Flávio Bolsonaro. Os recados foram enviados por WhatsApp a indígenas por moradores da região nos últimos dias.

    Nos áudios, moradores relatam maior circulação de motos e caminhonetes e dizem que fazendeiros compram lonas e materiais de roça para iniciar uma invasão após o 2º turno. As mensagens orientam os indígenas a evitar áreas onde pecuaristas já preparam o solo para pastagens e plantações e sugerem que os Parakanãs deixem a região.

    As mensagens dizem que os fazendeiros aguardam o dia da eleição para entrar na TI e construir suas fazendas lá dentro, diante da expectativa de que Flávio, caso vitorioso, e o já eleito governador do Pará, Dr. Daniel (Podemos), retirem o território do Povo Parakanã e o passem aos pecuaristas da região. A campanha de Flávio foi procurada, mas não respondeu até a publicação da reportagem. A atual gestão estadual do Pará também não se posicionou. E o Dr. Daniel disse, por meio de sua assessoria, que não comentaria.

    O material é de conhecimento dos órgãos de inteligência do governo federal, que também apuram se a onda crescente de incêndios florestais no território foi provocada propositalmente por fazendeiros. Um agente da Polícia Federal, que não quis se identificar, disse que as informações de inteligência sobre as ameaças aos Parakanãs são sólidas e preocupantes.

    Os áudios e as ameaças foram pauta da reunião do Comitê de Desintrusão do governo Lula na semana passada. “Durante a reunião, o Comitê deliberou pelo reforço das ações de segurança, incluindo o aumento do efetivo mobilizado, a fim de intensificar a manutenção da desintrusão e prevenir novas ocupações ilegais”, afirmou, em nota, o Ministério dos Povos Indígenas.

    Dados de desmatamento do INPE mostram que a área desmatada na TI Apyterewa foi de 18,9 km² em 2018 para 85,3 km² em 2019, no primeiro ano da gestão bolsonarista, e bateu o recorde em 2022, com 102,2 km² destruídos. Em 2023, no primeiro ano do governo Lula, despencou para 20,6 km².

    A Terra Apyterewa também é um dos territórios objeto da Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709. Em 2020, o então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, ordenou que o governo federal expulsasse invasores das áreas indígenas — determinação que Bolsonaro não cumpriu.

    A desintrusão só começou em 2023, com Lula de volta à Presidência da República, com reação violenta dos fazendeiros, que realizam periodicamente emboscadas contra operações de retirada do gado ilegal. Pontes dentro da área foram derrubadas para inviabilizar a passagem dos agentes. Um servidor da FUNAI foi baleado no final de 2023, e um contratado do IBAMA foi morto em 2025.

    Nos últimos meses, o clima eleitoral voltou a acirrar os ânimos na região, segundo autoridades. Os focos de incêndio explodiram nas últimas semanas, e investigadores suspeitam de queimadas propositais. Segundo dados do INPE compilados pelo Programa Xingu, o número passou de 41 em julho para 626 em agosto e para 1.007 no mês passado.

    Homologada em 2007, a Terra Indígena Apyterewa fica em São Félix do Xingu (PA), ocupa 773 mil hectares e abriga mais de mil Parakanãs de recente contato.

    Brasil de Fato, Revista Fórum, DCM, Brasil 247, BNC Amazonas e Opera Mundi repercutiram a ameaça de invasão à TI Apyterewa caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial.

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