Bayer escolhe Brasil para estrear complemento a agrotóxico mais polêmico do mundo – ClimaInfo
Líder mundial do mercado de agrotóxicos, a Bayer se prepara para lançar um novo herbicida em 2028. O icafolin-metil deve agir em complemento ao Roundup, o mais popular pesticida do mundo, que tem como princípio ativo o glifosato – que tem severas restrições de uso em vários países.
Mas, como O Repórter Brasil destaca, o lançamento também é uma resposta às acusações de que o Roundup estaria associado ao desenvolvimento de câncer em seres humanos. Apenas nos EUA, a Bayer acumula 192 mil processos, que já consumiram pelo menos US$ 11 bilhões (R$ 54 bilhões) em acordos judiciais.
Por aqui, uma tese de doutorado da Faculdade de Saúde Pública da USP investigou a relação do aumento de casos de câncer e má formação congênita após a instalação de uma usina sucroalcooleira na região do Pontal do Paranapanema, região oeste do estado de São Paulo. Casos foram relatados por agricultores da região que convivem com a pulverização aérea do Roundup nas plantações de cana-de-açúcar, informa o Jornal da USP.
Outro estudo, publicado na revista Environmental Science & Health, mostrou que o impacto do glifosato pode atingir também organismos aquáticos, como anfíbios. Testes apresentaram deformidades e maior taxa de mortalidade em fases iniciais. Formulações comerciais contendo glifosato podem apresentar toxicidade ampliada devido a componentes adicionais além do princípio ativo, destaca o R7.
Voltando ao icafolin-metil, até agora a Bayer revelou pouco sobre o herbicida, segundo Dina Akhmetshina, especialista em políticas públicas da ONG estadunidense U.S. PIRG. “Antes de utilizar novos produtos químicos, precisamos ter certeza absoluta de que são seguros”, reforça.
Em 6 de abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou o princípio ativo do químico, estabelecendo limites de ingestão diária de resíduos da substância semelhantes aos limites do glifosato, informa o Instituto Humanitas Unisinos. Já o valor aceitável para a exposição de trabalhadores no campo será três vezes maior. Contudo, a agência ainda deve avaliar os produtos formulados com a substância.
O icafolin agora aguarda a aprovação do Ministério da Agricultura (MAPA) e do IBAMA. Os processos tramitam com prioridade no governo federal. Desde o final de abril, executivos da Bayer se reuniram 62 vezes com o setor de avaliação e controle do órgão ambiental.
“É muito problemático a ANVISA ter aprovado antes de outras agências regulatórias, porque mostra que o princípio ativo ainda não foi devidamente analisado”, afirma Luiz Claudio Meirelles, ex-gerente da agência e pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.









