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October 16, 2026
Clima

Bancos emprestam US$ 595 bi para setores que alimentam o desmatamento e a destruição de ecossistemas – ClimaInfo

  • Outubro 15, 2026
  • 3 min read
Bancos emprestam US$ 595 bi para setores que alimentam o desmatamento e a destruição de ecossistemas – ClimaInfo

Instituições financeiras emprestaram até US$ 595 bilhões (R$ 2,98 trilhões) de 2020 a 2025 para empresas que contribuem para o desmatamento tropical e a destruição de ecossistemas. Foram US$ 351 bilhões (R$ 1,76 trilhão) emprestados para empresas de commodities agrícolas de alto risco e outros US$ 244 bilhões (R$ 1,23 trilhão) para companhias de mineração.

Os números fazem parte do relatório “Banking on Biodiversity Collapse 2026”, publicado na 4ª feira (14/10) pela coalizão Forests & Finance, dias antes da COP17 da Biodiversidade, que começa na próxima semana na Armênia. “Esses setores são os principais responsáveis pelo desmatamento, pela degradação do solo e pelos conflitos comunitários nas bacias florestais tropicais da América do Sul, do Sudeste Asiático e da África Central e Ocidental”, afirma o documento, repercutido por Reuters, Folha, Terra e Vero Notícias.

Os empréstimos e subscrições anuais para empresas de mineração que operam em países ricos em florestas tropicais aumentaram 55% entre 2016 e 2025, passando de US$ 23,7 bilhões (R$ 119,4 bilhões) para US$ 36,7 bilhões (R$ 184,8 bilhões), com os maiores aumentos no financiamento de lítio e níquel. O financiamento anual para riscos florestais em commodities agrícolas também acelerou 71% desde 2016, passando de US$ 37,9 bilhões (R$ 190,8 bilhões) para US$ 64,7 bilhões (R$ 326,2 bilhões), com o financiamento da indústria de carne bovina subindo mais de 50%, o da soja 137% e o da celulose e papel 157%.

No Brasil, as instituições financeiras continuam financiando as principais empresas de comercialização de soja após o colapso da Moratória da Soja na Amazônia no início deste ano, enfraquecendo um dos acordos voluntários de proteção florestal mais bem-sucedidos do mundo. Na Indonésia, o financiamento continua a apoiar modelos de plantação associados ao desmatamento, à drenagem de turfeiras e a incêndios cada vez mais severos que cobriram o Sudeste Asiático com uma fumaça tóxica neste ano, reforça a Forests & Finance.

Pela primeira vez, o relatório analisou o financiamento da mineração de metais/minerais nas bacias florestais tropicais, refletindo a rápida expansão da produção de níquel, lítio, cobalto e cobre em muitas das regiões com a maior biodiversidade do mundo. Essa expansão, destaca o documento, está alimentando uma nova onda de destruição, à medida que as comunidades enfrentam a apropriação de terras e a contaminação generalizada; os trabalhadores sofrem condições perigosas; e as florestas são devastadas, muitas vezes sob o pretexto da transição “verde” ou “limpa”.

Por isso, o relatório frisa que as instituições financeiras são responsáveis pela devida diligência em relação aos seus clientes e devem ser responsabilizadas pelas violações de Direitos Humanos que ajudaram a financiar. No entanto, os bancos “que emitem os créditos de maior risco ainda não possuem salvaguardas adequadas para mitigar os riscos de danos ambientais e sociais graves”, destaca o documento.

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Celia Mello

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