NotíciasAqui a notícia corre
August 18, 2026
Clima

Ambientalistas reforçam críticas à exploração de petróleo na Foz do Amazonas – ClimaInfo

  • Agosto 18, 2026
  • 5 min read
Ambientalistas reforçam críticas à exploração de petróleo na Foz do Amazonas – ClimaInfo

18 de agosto de 2026

Petrobras impactos foz do Amazonas
(Lansat NASA)

Resumo

  • “Risco sendo vendido como conquista”: Mariana Andrade, do Greenpeace Brasil, criticou a celebração do achado de “indícios de hidrocarbonetos” na Foz do Amazonas, citando a falha operacional recente e o afastamento dos compromissos climáticos. Juliano Bueno, do Instituto Arayara, reforçou que a descoberta não implica viabilidade ambiental e cobrou um debate sobre o modelo de desenvolvimento do país.
  • Especialistas questionam custo-benefício do investimento: a Petrobras investirá R$ 3,3 bilhões na perfuração de quatro poços no Bloco 59. Ricardo Fujii, do WWF-Brasil, calcula que os R$ 32 bilhões necessários para um FPSO na Foz gerariam um retorno maior se aplicados à eletrificação renovável — R$ 25 bilhões de benefício à sociedade.
  • Vazamento atingiria a costa: Ricardo Fujii ainda apontou incertezas na metodologia do licenciamento ambiental do Bloco 59, que falhou em estimar os possíveis impactos de um vazamento de petróleo. Inicialmente, a petrolífera apresentou estudos que descartavam que um vazamento de petróleo no Bloco 59 chegasse à costa do Amapá e do Pará. No entanto, em relatório posterior, a Petrobras admitiu que um eventual vazamento de petróleo poderia atingir o litoral do país.
  • “Antes de qualquer celebração, o que se sabe é que há indícios de petróleo, bem como há um histórico recente de falha operacional no próprio poço; há um afastamento de compromissos climáticos. É risco sendo vendido como conquista. Não queremos petróleo na Amazônia.”

    A fala da coordenadora da frente de Oceanos do Greenpeace Brasil, Mariana Andrade destacada pelo SBT News resume a reação de organizações ambientalistas e da sociedade civil ao anúncio do encontro de indícios de hidrocarbonetos no poço Morpho, que a Petrobras está perfurando no bloco FZA-M-59 na Foz do Amazonas. O comunicado da empresa foi comemorado por políticos e pela indústria de petróleo e gás. Mas, além de ainda ser uma incógnita – a própria presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ressaltou que não se pode dizer que é comercial -, a suposta descoberta traz novamente à tona os imensos riscos ambientais da atividade petrolífera na região. Sem falar no agravamento das mudanças climáticas que esse petróleo – se houver e for extraído – provocará quando for queimado.

    “É preciso separar descoberta de viabilidade. A existência de petróleo não significa que sua exploração seja ambientalmente aceitável ou compatível com os compromissos climáticos do país. O Brasil precisa discutir que modelo de desenvolvimento pretende construir, em vez de transformar cada nova descoberta em argumento para prolongar a era dos combustíveis fósseis”, reforçou Juliano Bueno, do Instituto Arayara.

    A Petrobras anunciou investimentos de R$ 3,3 bilhões na perfuração de quatro poços no Bloco 59 (Morpho e outras três perfurações), informam Folha e CNN Brasil. Para o especialista em transição energética do WWF-Brasil, Ricardo Fujii, essa cifra, juntamente com todos os recursos necessários para viabilizar a produção de combustíveis fósseis na região (se houver descoberta comercial, vale lembrar), poderia ser utilizada de forma mais eficiente no avanço das fontes renováveis. Ainda mais diante de projeções da Agência Internacional de Energia (AIE) de que a demanda mundial por petróleo atingirá seu pico até 2030 – dois a três anos antes do possível início da extração de óleo na costa do Amapá, segundo as previsões de Magda Chambriard.

    “Nossa análise de custo-benefício feita com a metodologia do próprio governo federal mostra que aplicar cerca de R$ 32 bilhões, que é o que custaria desenvolver um grande FPSO (navio-plataforma) na Foz do Amazonas, esse mesmo investimento em eletrificação renovável geraria um retorno positivo de R$ 25 bilhões para a sociedade”, detalhou Fujii.

    Além disso, o especialista aponta incertezas na metodologia do licenciamento ambiental, que falhou em estimar os possíveis impactos de um vazamento de petróleo. “A modelagem de dispersão apresentada pela Petrobras utilizou dados hidrodinâmicos de 2013, embora já existam dados mais recentes de 2024.”

    Inicialmente, a petrolífera apresentou estudos no processo de licenciamento que descartavam a possibilidade de um vazamento de petróleo no Bloco 59 chegar à costa do Amapá e do Pará, que, junto com o Maranhão, abriga o maior manguezal do Brasil e o 2º maior do mundo. No entanto, recentemente a DW Brasil mostrou um novo relatório da Petrobras admitindo que o petróleo vazado pode atingir o litoral do país.

    Talvez por isso a empresa tenha decidido monitorar a porção norte do Parque Nacional do Cabo Orange, uma Unidade de Conservação no extremo norte do Amapá, informa a Folha. Os 590 km de litoral por onde se estende o Cabo Orange são um gigante berçário de peixes, uma área de mangue e floresta que garante a alimentação e a reprodução dos animais e a sobrevivência de milhares de pescadores. Na região também estão territórios tradicionais onde vivem 12 mil indígenas de quatro etnias, cuja subsistência depende do ciclo das marés e da qualidade ambiental para a pesca, a caça e os roçados.

    • ambientalistas
    • foz do Amazonas
    • risco ambiental
    • transição energética

    Continue lendo

    Em foco

    Clima e Eleições

    Aprenda mais sobre

    About Author

    Ian Mello

    Leave a Reply

    O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *