Ações do governo Lula salvaram pelo menos 20 mil km² da Amazônia desde 2023 – ClimaInfo
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Depois do desmonte ambiental sob Bolsonaro, a retomada da fiscalização por Lula permitiu reverter a trajetória de desmatamento da última década.
28 de setembro de 2026

Resumo
A saída de Jair Bolsonaro e a volta de Lula à presidência da República, em janeiro de 2023, foram decisivas para a proteção da Amazônia. Uma análise do Carbon Brief reforça o balanço positivo do 3º mandato do atual presidente na área ambiental, especialmente na maior floresta tropical do planeta.
Segundo o levantamento, a retomada da fiscalização ambiental evitou a derrubada de pelo menos 20 mil km² de floresta nos últimos quatro anos. É uma área equivalente ao tamanho de países como Eslovênia e Israel.
A Amazônia sofreu muito durante o (des)governo Bolsonaro. O desmonte das políticas ambientais e da fiscalização permitiu a explosão do desmatamento, impulsionada por invasões em territórios protegidos, como Unidades de Conservação e Terras Indígenas. Segundo uma análise da InfoAmazonia, com base em dados do sistema PRODES, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a floresta perdeu quase 700 mil árvores por dia a mais com Bolsonaro do que no atual mandato de Lula.
O retorno de Lula ao Planalto permitiu a retomada das ações de fiscalização ambiental, além da recuperação de instrumentos importantes para a agenda ambiental e climática, como os Fundos Amazônia e Clima. O atual governo também fortaleceu os órgãos ambientais federais, que foram enfraquecidos e sucateados nas gestões de Bolsonaro e Michel Temer.
Com isso, a Amazônia conseguiu reverter a trajetória de alta do desmatamento observada na última década. Dados do sistema DETER, também do INPE, indicam que o último período anual (agosto de 2025 a julho de 2026) registrou o menor índice de alertas de desmatamento da série histórica, iniciada em 2015. Se a queda se confirmar nos dados consolidados do PRODES, que devem ser divulgados em novembro, o desmatamento no último ano pode ter sido o menor na Amazônia desde 1988.
A análise do Carbon Brief baseou-se na modelagem, feita por uma equipe internacional de pesquisadores, de um cenário alternativo no qual o Código Florestal não fosse aplicado, como ocorreu no governo Bolsonaro. Por isso, os especialistas ressaltam que a estimativa é provavelmente “conservadora”, já que o desmatamento real sob a gestão do ex-presidente (e atual presidiário) pode ter sido “muito maior”.
“A principal mensagem da nossa modelagem é o contraste entre essas trajetórias: a governança ambiental frágil mantém o desmatamento em níveis substancialmente mais altos do que a implementação completa do Código Florestal”, destacou Aline Soterroni, pesquisadora da Universidade de Oxford. “Essa mensagem continua relevante hoje.”
Os dados reforçam a importância da eleição presidencial deste domingo (4/10) para o futuro da Amazônia. Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto, o presidente Lula tem como principal adversário o filho de Jair, o senador Flávio Bolsonaro. A possibilidade de um retorno da família Bolsonaro ao poder representa uma ameaça à proteção da Floresta Amazônica.
“O governo Bolsonaro, no período de 2019 a 2022, mostrou que a desconstrução das políticas e instituições ambientais pode ser feita muito, muito rapidamente. Em questão de poucos meses, eles [Flávio Bolsonaro] podem destruir tudo o que foi construído ao longo de décadas de políticas e ativismo ambiental no Brasil”, observou David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Ainda mais considerando que Flávio já disse diversas vezes que o governo de seu país será sua referência. Ou seja, a destruição é só uma questão de tempo.
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