COP17 de biodiversidade chega ao último dia com impasse sobre financiamento e implantação das metas – ClimaInfo
29 de outubro de 2026

Resumo
A COP17 da Biodiversidade chega ao fim nesta 6ª feira (30/10) em Yerevan, na Armênia, com impasses ainda pendentes. O principal deles é o financiamento: quem deve contribuir e como o dinheiro chegará aos países em desenvolvimento. Também está em disputa a criação de um novo fundo, enquanto permanece sobre a mesa a meta de mobilizar US$ 30 bilhões (R$ 161,7 bilhões) anuais para países em desenvolvimento até 2030.
Segundo o Financing Nature 2026, estudo da The Nature Conservancy, WWF e Paulson Institute, são necessários mais de US$ 1,3 trilhão (R$ 7 trilhões) ao ano para que o mundo salve ecossistemas. A estimativa quase dobrou em relação aos US$ 711 bilhões (R$ 3,8 trilhões) revistos há seis anos, em 2020.
De acordo com o Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, os países assumiram o compromisso de mobilizar US$ 200 bilhões anuais até 2030 para preservar a natureza e reverter a perda de biodiversidade. Desse total, ao menos US$ 30 bilhões anuais viriam das nações ricas para os países em desenvolvimento, lembra Daniela Chiaretti no Valor. Mas tudo continua na intenção.
A operacionalização do Fundo de Cali, criado para receber contribuições de empresas que utilizam informações genéticas digitais da biodiversidade, segue como “bode na sala”. O Brasil demonstrou proatividade e apresentou, na COP17, seu modelo nacional de repartição de benefícios pelo uso de recursos genéticos.
A delegação brasileira também está trabalhando para evitar que empresas do país sejam cobradas duas vezes, tanto no sistema nacional quanto no Fundo de Cali, relata Mariana Grilli no MyNews. Ela ainda destacou a baixa presença de representantes do agronegócio nas negociações, apesar de mais da metade das metas globais serem relacionadas a sistemas alimentares, segundo a FAO.
Falando do Marco de Kunming-Montreal, também não ficou claro ontem como os países vão responder à sua primeira revisão global, que mostrou que o mundo está fora da trajetória necessária para cumprir as metas de biodiversidade até 2030. A questão é se os países aprovarão medidas concretas para corrigir essa trajetória.
Há ainda divergências quanto ao uso das avaliações científicas da plataforma IPBES para essa ação. A Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) é um órgão internacional independente, estabelecido em 2012, para conectar a ciência à tomada de decisões políticas sobre a natureza.
Como informou Lindsay Smith, no Future World News, o ambiente das negociações melhorou ontem. Mas sem avanços concretos em financiamento e implementação, a COP17 terminará sem responder às principais dificuldades identificadas na revisão global, deixando uma extensa agenda pendente para a COP18, em 2028, que será na América Latina.
Panamá e Equador disputam a presidência do próximo encontro da Convenção da ONU para a Biodiversidade (CBD), em uma eleição agendada para hoje.
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