Garimpo ilegal supera cocaína como crime mais lucrativo na Amazônia – ClimaInfo
28 de outubro de 2026

Resumo
Os tentáculos do crime organizado nunca foram tão numerosos na Amazônia. Um mapeamento do Amazon Underworld mostra como esses grupos estão cada vez mais presentes na maior floresta tropical do planeta, ameaçando a ordem pública e atacando comunidades indígenas e tradicionais. Segundo o levantamento, facções criminosas ou grupos armados estão atuando em 768 dos 1.310 municípios amazônicos (59% do total) em seis países — Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.
A atuação de grupos criminosos na Amazônia não se limita mais ao tráfico de drogas, como no passado. Com a valorização crescente do ouro no mercado internacional, essas quadrilhas estão voltando sua atenção ao garimpo ilegal, que já desponta como a atividade criminosa mais lucrativa na região, superando até mesmo o tráfico de cocaína.
“Essa mudança acelerou a destruição por meio do desmatamento e da contaminação por mercúrio”, observou Bram Ebus, autor do relatório, fundador da Amazon Underworld e consultor do International Crisis Group, ao Mongabay. Ele ainda destaca a pressão exercida pelos criminosos sobre as populações locais, que são coagidas a participar de atividades criminosas.
“Os grupos os extorquem. Eles também os usam, muitas vezes sob coerção, como escudos humanos para proteger economias ilícitas e obstruir intervenções estatais. Isso deixa as comunidades expostas à repressão violenta por parte das forças governamentais.”
A exploração ilegal de ouro também atrai trabalhadores interessados em altos ganhos, que acabam sendo recrutados para outras atividades criminosas, ampliando a força desses grupos na Amazônia. Outro impacto da atividade é a contaminação do solo e dos rios por mercúrio, amplamente utilizado no garimpo, que causa o adoecimento de comunidades em toda a região.
Além do ouro e da cocaína, outro alvo dos grupos criminosos é a exploração de minerais críticos, como estanho, tungstênio e coltan, principalmente no Brasil, na Colômbia e na Venezuela. Isso mostra como essas organizações estão se aproveitando da demanda crescente por esses minérios para ganhar ainda mais dinheiro, novamente às margens da lei.
O relatório também indica o fracasso prático da estratégia de vários governos de direita e de extrema-direita da região amazônica, baseada na repressão militarizada contra os cartéis do crime. Essa abordagem não ataca as raízes econômicas e políticas sistêmicas do crime organizado na Amazônia.
“A menos que os fatores sociais que impulsionam o crime sejam enfrentados, essa abordagem não oferece garantia de sucesso. As pessoas já se sentem abandonadas pelo Estado, e bombardear os grupos criminosos que lhes proporcionam o sustento só vai aprofundar esse sentimento”, pontuou Bram.
O InfoAmazonia publicou os principais pontos do estudo. O Monitor do Mercado também repercutiu a análise.
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Em tempo 1: Uma operação na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, resultou na destruição de pistas de pouso clandestinas, de uma balsa e de materiais utilizados pelo garimpo ilegal. A Operação Flecha Noturna VII aconteceu entre os dias 8 e 19 de outubro nas regiões de Dicão e Noronha. A ação contou com apoio de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), da Marinha do Brasil e do Exército Brasileiro, informam g1 e Folha BV.
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Em tempo 2: Em Rondônia, uma operação conjunta da Polícia Federal e do IBAMA resultou na inutilização de 72 embarcações e maquinários usados no garimpo ilegal, além de 16 mil litros de óleo diesel. Realizada na 3ª feira (27/10) entre os distritos de Calama e São Carlos, em Porto Velho, na região do Baixo Madeira, a Operação Nêmesis também apreendeu três frascos de mercúrio e oito aparelhos celulares, segundo CNN Brasil e g1.
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