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October 28, 2026
Clima

Calor extremo matou mais de 50 mil pessoas no verão europeu – ClimaInfo

  • Outubro 26, 2026
  • 5 min read

23 de outubro de 2026

calor extremo verão europeu
PxHere

Resumo

  • Mortes recordes: um estudo do Imperial College de Londres e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres estimou que o calor extremo do verão europeu de 2026 matou 50,4 mil pessoas em 854 cidades, superando o recorde de 2022 (29,5 mil). Desse total, 32,6 mil mortes foram atribuídas ao calor adicional causado pelas mudanças climáticas de origem humana. O número pode ser ainda maior, pois o estudo cobre apenas cerca de 40% da população europeia e não inclui a onda de calor de maio.
  • Estimativas: os pesquisadores cruzaram registros de temperatura com a relação histórica entre calor e mortalidade para estimar as mortes em excesso entre 2000 e 2026. Depois, compararam esses dados com um cenário simulado sem o aquecimento global, causado principalmente pela queima de combustíveis fósseis. Itália, França, Espanha, Alemanha e Reino Unido tiveram o maior número de óbitos, principalmente por problemas cardiorrespiratórios, com crianças e idosos mais vulneráveis.
  • Recorde de calor: o verão de 2026 teve incêndios sem precedentes, secas e temperaturas médias cerca de 2,9°C acima da referência de 1991-2020, chegando a 12°C acima do esperado em algumas regiões. Os autores destacam que a infraestrutura de grande parte da Europa Ocidental e do Norte não foi projetada para temperaturas tão altas, o que reforça a preocupação com o despreparo dos países diante do calor extremo.
  • As altas temperaturas registradas na Europa no último verão resultaram na morte de mais de 50 mil pessoas, de acordo com um novo estudo. O número supera o recorde de 2022, quando foram registrados 29 mil óbitos associados ao calor extremo. Itália, França, Espanha, Alemanha e Reino Unido sofreram o maior número de mortes.

    O calor intenso, mais frequente e mais prolongado por conta dos efeitos das mudanças climáticas, está associado a uma incidência maior de problemas cardiorrespiratórios, especialmente entre crianças e idosos. Os dias mais quentes resultam em maior estresse térmico, intensificado por noites sob temperaturas mais altas, que impedem a recuperação do organismo.

    O estudo, publicado por pesquisadores do Imperial College e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres na revista Nature Health, modelou as mortes relacionadas ao calor em diferentes faixas etárias em 854 cidades europeias durante as ondas de calor registradas em junho, julho e agosto. A partir do cruzamento dos registros de temperatura com estatísticas da relação histórica entre calor e mortalidade, os cientistas conseguiram estimar as mortes em excesso em cada localidade durante os verões de 2000 a 2026.

    Assim, os pesquisadores modelaram as temperaturas esperadas nessas áreas urbanas em um cenário sem o aquecimento global, provocado principalmente pela queima de combustíveis fósseis. A conclusão é de que o calor intenso causou a morte de 50,4 mil pessoas e, dessas, 32,6 mil morreram por causa do calor extra causado pelas mudanças climáticas causadas pela ação humana. O recorde histórico de 2022 registrou a morte de 29,5 mil pessoas em decorrência do forte calor.

    O número de mortes no último verão pode ser ainda maior. Isso porque o estudo não considera os efeitos de uma onda de calor que assolou a Europa Ocidental em maio, ainda no outono, e o recorte de cidades contempla apenas 40% da população europeia.

    “Os números absolutos de mortes relacionadas ao calor estimados nas 854 áreas urbanas são realmente impressionantes. Mas talvez o que seja ainda mais alarmante seja a proporção dessas mortes que atribuímos às mudanças climáticas antropogênicas”, afirmou Malcolm Mistry, cientista da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e coautor do estudo, ao Guardian.

    Como a Folha lembra, o verão europeu de 2026 foi marcado por incêndios florestais sem precedentes em Espanha, França, Bélgica e Grécia, e por secas e níveis historicamente baixos de rios e reservatórios. A temperatura média ficou cerca de 2,9oC acima da média de referência (1991-2020) e, em algumas regiões, os termômetros chegaram a subir 12oC acima do esperado. 

    Os resultados do estudo reforçam a preocupação com a falta de preparo dos países europeus como um todo para enfrentar o calor extremo, cada vez mais frequente e intenso por conta da crise climática. “Em grande parte da Europa Ocidental e do Norte, nossa infraestrutura simplesmente não foi projetada para lidar com os tipos de temperatura que estamos vendo agora”, pontuou Clair Barnes, autora principal do estudo e cientista do Imperial College, à AP.

    Bloomberg, CNN, Financial Times, POLITICO e Telegraph também repercutiram o estudo.

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