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October 14, 2026
Estado Tocantins

Jovem que encontrou na música caminho para a inclusão morre no TO | G1

  • Outubro 14, 2026
  • 3 min read
Jovem que encontrou na música caminho para a inclusão morre no TO | G1

A morte de Lucas Valadares Castro, de 20 anos, gerou comoção em Colinas do Tocantins, no norte do estado. Com uma história marcada pela superação de desafios decorrentes da cardiopatia hipertrófica, o jovem encontrou acolhimento na Fanfarra Municipal, onde se dedicou à música nos últimos anos. Como forma de carinho e reconhecimento, os colegas prestaram uma homenagem emocionante durante o sepultamento nesta terça-feira (13).

Lucas morreu repentinamente enquanto dormia, na madrugada desta segunda-feira (12). Durante a despedida, os integrantes da fanfarra entraram enfileirados no cemitério, tocando instrumentos em tom solene. Familiares e amigos acompanharam o cortejo em silêncio, logo atrás dos músicos, para prestar as últimas homenagens ao jovem.

O regente da Fanfarra Municipal, Gabriel Macedo, explicou que a apresentação foi uma forma de retribuir a alegria que Lucas levava aos ensaios e às apresentações do grupo.

“Lucas sempre foi um ótimo aluno, e participar da fanfarra era algo de que ele sempre gostou. Amávamos a presença dele, as brincadeiras e a forma dele de alegrar todos sempre. Quando recebemos a notícia, ficamos muito abalados, mas tínhamos certeza de que precisávamos fazer uma homenagem”, contou o regente.

O regente contou ainda que o grupo escolheu um tom mais suave para a apresentação em homenagem ao jovem. “Foi um momento de dor, mas também de mostrar apoio à família e ao Lucas, que com certeza estaria muito feliz”, afirmou Gabriel.

Lucas iniciou na fanfarra após o convite de um vizinho e passou a se dedicar ao projeto — Foto: Reprodução/Fanfarra Municipal de Colinas do Tocantins

Entenda a condição de saúde de Lucas

Segundo a mãe, Waldirene Castro, Lucas nasceu após uma cesariana de emergência decorrente de diabetes gestacional. Ele desenvolveu cardiopatia hipertrófica e uma condição multissistêmica que afeta o crescimento e o desenvolvimento de diferentes partes do corpo.

“O diagnóstico, a princípio, era de que só iria viver até os 3 anos devido à síndrome. Disseram que não iria sentar, andar, andar de bicicleta ou jogar bola”, contou a mãe.

Com o apoio da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Colinas do Tocantins e de uma equipe multiprofissional, Lucas superou as estimativas médicas e apresentou avanços no desenvolvimento.

Após anos de acompanhamento na instituição, ele ingressou na rede regular de ensino, na Escola Odimar Lopes, onde recebeu suporte pedagógico fundamental para sua integração e desenvolvimento, segundo a mãe.

Pirmeiro dia de aula de Lucas em uma escola de ensino regular — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal de Waldirene Castro

Anos depois, a família precisou se mudar temporariamente para Palmas por motivos de trabalho. Após três anos na capital, eles retornaram para Colinas do Tocantins.

Foi nesse período que um convite feito por um vizinho abriu caminho para uma nova fase na vida de Lucas: ele passou a integrar a Fanfarra Municipal de Colinas.

“Foi aí onde tudo de melhor na vida dele aconteceu. O Lucas aprendeu a tocar todas as notas propostas e começou a fazer apresentações. Fez amizades, foi aceito e cuidado com amor e carinho, tendo todas as suas limitações físicas e visuais respeitadas”, disse Waldirene.

Segundo a mãe, os dois anos em que Lucas participou do grupo foram os mais felizes da vida dele. Dedicado, o jovem era reconhecido pela pontualidade e disciplina nos ensaios.

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