Calor extremo aumenta risco de parto prematuro e morte fetal – ClimaInfo
A gravidez e o parto tornaram-se um “novo ponto crítico na crise climática global”, à medida que o calor extremo se intensifica, disse o chefe da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Simon Stiell. O alerta se baseia em dados divulgados na 2ª feira (5/10) de uma pesquisa encomendada pela fundação de saúde Wellcome a profissionais de saúde materna em cinco países de cinco continentes.
O estudo abrangeu 1.000 profissionais de saúde materna na Índia, Austrália, Brasil, Reino Unido e Zimbábue. Cerca de 73% deles disseram ter observado um aumento nos casos ou complicações relacionados ao calor que afetam gestantes, enquanto 76% relataram um aumento nos casos que afetam a saúde fetal ou neonatal, informa a Down to Earth.
Ainda de acordo com a pesquisa, 81% dos profissionais de saúde materna estão preocupados ou muito preocupados com o risco crescente do calor extremo para a saúde materna, fetal e neonatal caso não sejam adotadas medidas. Isso significa agir tanto na adaptação à crise climática quanto na sua mitigação.
A exposição ao problema já se faz quase generalizada na rotina dos profissionais, destaca a Exame. Quase todos (98%) disseram ter atendido uma gestante cuja saúde acreditavam ter sido prejudicada pelo calor extremo, enquanto 99% já haviam cuidado de um bebê afetado pela condição.
Temperaturas mais elevadas têm sido associadas a partos prematuros, natimortos e baixo peso ao nascer, bem como a complicações maternas. Segundo a Wellcome, cada aumento de 1°C na temperatura está correlacionado com um aumento de 5% nos partos prematuros e de 7% no diabetes gestacional, detalha o Euronews.
Mulheres grávidas que trabalham ao ar livre, vivem sem refrigeração adequada em casa ou precisam percorrer longas distâncias para receber atendimento médico podem ter pouca proteção durante o calor extremo, destacou Stiell. Clínicas também podem enfrentar dificuldades quando o fornecimento de água, eletricidade ou refrigeração é instável devido às altas temperaturas.
“Por trás desses números, existem histórias humanas: a ida de uma gestante à clínica, atrasada pelo calor perigoso; uma parteira trabalhando em temperaturas inseguras; um recém-nascido precisando de cuidados especializados. Manter a calma simplesmente não é uma opção quando não há um lugar fresco para ir”, disse o chefe da Convenção do Clima da ONU.
Climate Home, Earth, Telegraph e Business Green também repercutiram o alerta de Stiell e o estudo da Wellcome.









