Mudanças climáticas impulsionam casamentos de crianças e gravidez na adolescência – ClimaInfo
6 de outubro de 2026

Resumo
A intensificação de eventos climáticos extremos ameaça a saúde, a segurança e o futuro das meninas e mulheres jovens. Um novo relatório da Plan Internacional sobre a situação das meninas ao redor do mundo destacou que a ocorrência mais frequente e intensa de inundações, secas e ondas de calor está afetando os sistemas de saúde, educação e proteção, exercendo pressão adicional sobre as famílias e comunidades e tornando as meninas mais vulneráveis à violência, ao casamento infantil e à gravidez indesejada.
O relatório baseia-se nas experiências de mais de 5 mil meninas e mulheres jovens de 15 a 24 anos em Bangladesh, Quênia, Peru, Senegal e Zimbábue, além de análises que abrangem 52 nações ao longo de três décadas. A análise reforça como os impactos climáticos afetam a saúde, os direitos e o futuro das meninas — e o que precisa ser feito para protegê-las.
Segundo o levantamento, nove em cada dez meninas disseram que os eventos climáticos extremos exercem forte pressão sobre a sobrevivência, a saúde e a estabilidade de suas famílias. Com o clima extremo, as barreiras ao acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva aumentaram: 76% das entrevistadas relataram problemas de acesso a pelo menos um desses serviços.
Essa dificuldade de acesso se reflete em números expressivos referentes ao casamento infantil e à gravidez indesejada: 36% relataram ter visto mais meninas casando ou entrando em união estável antes dos 18 anos, e 33% relataram ter observado um aumento da gravidez não desejada entre meninas e mulheres jovens de suas comunidades. Metade das meninas entrevistadas também afirmou ter dificuldade em obter produtos menstruais ou água potável para lidar com a menstruação.
O clima extremo ainda compromete a proteção física das meninas nos países mais vulneráveis. Segundo a análise, 28% das entrevistadas relataram aumento de casos de violência contra mulheres e meninas após eventos relacionados ao clima. Esse índice chega a 60% no Zimbábue, um dos países mais afetados pelas mudanças climáticas na África subsaariana.
Os resultados do levantamento mostram que os serviços de saúde sexual e reprodutiva são frequentemente negligenciados no planejamento de resposta a mudanças climáticas e a emergências, apesar de serem cruciais para a segurança, a saúde e a dignidade das meninas. O relatório constatou que muitas tiveram dificuldades em acessar contraceptivos, cuidados maternais, apoio à saúde menstrual, aconselhamento e outros serviços essenciais após eventos climáticos.
Outro ponto é o acesso à escola. A análise ressaltou que a crise do clima está tirando as meninas das escolas, interrompendo sua educação e forçando-as a abrir mão do fator de proteção mais importante de suas vidas. Isso amplia a vulnerabilidade delas à exploração, à violência, ao casamento precoce e à perda de acesso aos serviços de saúde.
“Para as meninas, a crise climática não é uma ameaça distante. Ela já está afetando sua educação e aumentando os riscos que enfrentam quando não conseguem acessar serviços de saúde. Apenas metade dos planos climáticos nacionais [Contribuições Nacionalmente Determinadas, as NDCs] menciona a saúde de meninas ou mulheres e, apesar do impacto crescente dos choques climáticos nos sistemas e serviços de saúde dos quais as meninas dependem, apenas 0,5% do financiamento climático multilateral é destinado à saúde”, afirmou Reena Ghelani, CEO da Plan International.
ESG News, Folha e RFI repercutiram o relatório.
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