Seca ameaça oferta de água no Nordeste e de energia na Amazônia – ClimaInfo
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Redução das chuvas e perspectiva de agravamento da estiagem com “Super El Niño” aumentam pressão sobre energia, transporte e abastecimento.
29 de setembro de 2026

Resumo
A seca já está a todo o vapor nas regiões Norte e Nordeste. Com a atuação do “Super El Niño”, que deve ganhar ainda mais força nos próximos meses, a perspectiva de que a estiagem se agrave é cada vez maior. Assim como o temor de restrições no abastecimento de água, no transporte hidroviário e na geração de eletricidade é cada vez maior.
A Folha fez um levantamento de situações já consideradas críticas e de mobilizações em andamento diante da seca e do El Niño. Uma delas envolve regiões remotas da Amazônia que não têm acesso à rede elétrica integrada do país e ainda dependem de combustíveis fósseis para gerar eletricidade.
Usinas que usam óleo diesel para gerar energia em sistemas isolados pediram ao governo mais de R$ 100 milhões para antecipar a compra e estocar quase 18 milhões de litros do combustível antes que a queda do nível dos rios amazônicos impeça o transporte. Algo que não seria necessário se essas áreas já tivessem usinas de fontes renováveis e sistemas de armazenamento de energia — o que o programa “Energias da Amazônia”, lançado em agosto de 2023 pelo Ministério de Minas e Energia (MME), prometeu, mas ainda não cumpriu.
A empresa VP Flexgen pediu R$ 71,3 milhões para comprar 12,9 milhões de litros de diesel. A empresa opera termelétricas em Humaitá, Nova Olinda do Norte, Borba, São Gabriel da Cachoeira e Autazes, no Amazonas, totalizando 60 megawatts (MW) de capacidade. Já a empresa Powertech solicitou R$ 29,4 milhões, além de R$ 2,7 milhões para a operação logística, para comprar 4,2 milhões de litros de diesel. Suas plantas somam 37 MW.
Os pedidos envolvem um repasse que seria antecipado pela Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). A CCC é cobrada nas contas de luz de todos os consumidores de energia do país para cobrir parte do custo de geração nos sistemas isolados. Esse encargo dilui o impacto financeiro sobre as comunidades isoladas da Amazônia, já que a eletricidade a diesel, além de muito poluente, é uma das mais caras.
No Nordeste o problema é outro. A seca atinge reservatórios e rios utilizados para o abastecimento humano, a irrigação, a criação de animais e as atividades econômicas. E o plano de preparação para o El Niño 2026-2027, aprovado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) neste mês, já indica oito sistemas hídricos em “estado hidrológico vermelho” — a faixa mais crítica da classificação adotada pelo órgão regulador.
Quatro deles ficam no Rio Grande do Norte: Armando Ribeiro Gonçalves, na região de Assú e Itajá; Itans, em Caicó; Santo Antônio e Sabugi, em São João do Sabugi; e Cruzeta, no município de mesmo nome. Na Bahia, estão Mirorós/Manoel Novais, em Ibipeba, e Riacho do Paulo, em Livramento de Nossa Senhora. Em Pernambuco, aparecem Barra do Juá, em Floresta, e Jucazinho, na região de Surubim e Cumaru.
O plano da ANA prevê condições especiais para a operação de reservatórios e para intervenções em 57 sistemas hídricos locais do Semiárido, caso o cenário piore.
Em agosto, os dados mostravam a fragilidade dos estoques de água. O monitoramento de 542 reservatórios mostrava que 112 deles estavam abaixo de 20% da capacidade. Não significa que todos estejam prestes a secar, mas mostra que uma parcela relevante entrou no período crítico, com pouca reserva.
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