NotíciasAqui a notícia corre
September 29, 2026
Clima

Eleições 2026: os candidatos que acumulam multas ambientais milionárias – ClimaInfo

  • Setembro 28, 2026
  • 6 min read
Eleições 2026: os candidatos que acumulam multas ambientais milionárias – ClimaInfo

28 de setembro de 2026

eleições 2026 multas ambientais
Montagem ClimaInfo sob imagens de Vinícius Mendonça/Ibama e Valter Campanato/ Agência Brasil

Resumo

  • Eleição de domingo é decisiva: “Se nós não votarmos bem em 4 de outubro, pode não haver outra chance”, frisa Eliane Brum, da Sumaúma. Dos três cenários traçados pela jornalista, só a reeleição de Lula e a renovação do Congresso, com eleitos alinhados à agenda climática e aos direitos de Povos Indígenas e Quilombolas, trariam paz para enfrentar os problemas estruturais do país.
  • “Lista suja” reúne candidatos com multas ambientais: levantamento da ASCEMA Nacional identificou 240 candidatos com ao menos um auto de infração ambiental válido, totalizando mais de R$ 213 milhões em multas, concentradas em partidos de direita e centro-direita. A Sumaúma aponta 75 nomes com infrações na Amazônia (R$ 176 milhões), a maioria deles apoiadores de Flávio Bolsonaro.
  • PL lidera autuações, e o eleitor deve olhar o histórico: segundo a Agência Tatu e o Intercept Brasil, 13 candidatos do PL acumulam cerca de R$ 6 milhões em multas, quase 40% das autuações do IBAMA a candidatos neste ano. Para Cristiane Mazzetti, do Greenpeace Brasil, o histórico socioambiental é uma informação relevante, mesmo sem gerar inelegibilidade automática.
  • “Se nós não votarmos bem em 4 de outubro, pode não haver outra chance. Isso não é força de expressão, é real. Vamos entender bem onde estamos no Brasil, porque o futuro bem próximo vai depender da nossa capacidade de virar voto e esclarecer indecisos no tempo que ainda resta antes do primeiro turno. Estamos vivendo um momento assustador, sim, mas não temos o luxo de ficarmos assustadas.”

    O alerta feito por Eliane Brum na Sumaúma resume o que está em jogo no próximo domingo. A jornalista traça três cenários possíveis para as urnas. E apenas um deles — a reeleição do presidente Lula e a renovação do Congresso, com a eleição de deputados e senadores alinhados à agenda climática e ambiental, aos direitos territoriais de Povos Indígenas e Quilombolas e a políticas públicas robustas para saúde, educação e segurança pública — pode nos dar alguma paz para começarmos a resolver os complexos problemas históricos e estruturais que afetam o país e que precisam ser encarados, como a ainda gritante desigualdade social.

    Por isso, é importante lembrar o levantamento da Associação Nacional dos Servidores de Carreira de Especialista em Meio Ambiente (ASCEMA Nacional), que identificou 240 candidatos nas eleições deste ano que possuem pelo menos um auto de infração ambiental válido em seu nome. Os autos somam mais de R$ 213 milhões em multas registradas. Partidos de direita e do Centrão concentram a maior parte dessas candidaturas.

    O g1 destaca que apenas 14 candidatos concentram mais de R$ 100 milhões em multas ambientais aplicadas pelo IBAMA e pelo ICMBio nos últimos dez anos, considerando apenas aqueles que acumulam individualmente pelo menos R$ 1 milhão em autuações. O perfil predominante entre os multados é o de homens, empresários e profissionais do agronegócio, em municípios do chamado Arco do desmatamento, no sul e leste amazônicos. Entre os nomes estão candidatos a deputado estadual e federal, ao Senado, ao governo do Pará e suplentes.

    Coordenadora da frente de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti reforça que o eleitor pode e deve considerar o histórico do candidato na agenda socioambiental como informação relevante para avaliá-lo. Ainda que, para ser declarado inelegível, o candidato precise ter uma condenação criminal definitiva (com trânsito em julgado) ou uma proferida por órgão colegiado por crime ambiental previsto em lei.

    “Principalmente quando se trata daqueles candidatos à reeleição, integrantes de bancadas e/ou de partidos com histórico recente de desmonte da legislação ambiental — inclusive das salvaguardas que atuam no monitoramento e na fiscalização — e que podem se beneficiar da fragilização do controle desses crimes ambientais”, explicou.

    Além do levantamento da ASCEMA, há outras análises sobre candidatos na “lista suja” do clima e do meio ambiente. A Sumaúma aponta 75 nomes que disputam vagas nas eleições e cometeram infrações na Amazônia. Surpreendendo zero pessoas, a maior parte deles apoia Flávio Bolsonaro. Juntos, os 75 políticos tiveram 200 infrações registradas pelo IBAMA entre 2004 e 2026, totalizando mais de R$ 176 milhões em multas.

    O PL de Flávio Bolsonaro lidera o ranking de candidatos mais autuados pelo IBAMA nestas eleições de 2026, segundo outro levantamento, feito pela Agência Tatu em parceria com o Intercept Brasil. Os dados mostram que 13 candidatos do PL acumularam cerca de R$ 6 milhões em multas ambientais nos últimos três anos. O valor representa quase 40% de todas as autuações aplicadas pelo órgão ambiental a candidatos a cargos eletivos neste ano.

    Neste momento, também vale relembrar a análise do Observatório do Clima sobre as propostas dos seis candidatos à Presidência da República mais bem colocados nas pesquisas eleitorais. À exceção de Lula, todos ignoram a urgência da crise climática e ambiental. Para Flávio, aliás, a crise climática nem existe.

    Em tempos do El Niño mais forte de todos os tempos, que agrava os eventos extremos relacionados às mudanças climáticas, a escolha de domingo será determinante. Poderá, inclusive, definir a sobrevivência de parte da população brasileira, cada vez mais sujeita a catástrofes climáticas.

    • Em tempo: “Chegou a hora de Rondônia ter alguém em Brasília que conheça o garimpo por dentro.” É assim que Tânia Sena apresenta sua candidatura a deputada federal pelo Podemos em Rondônia. Ela só não fala que foi indiciada pela Polícia Federal em operação sobre comércio ilegal de ouro, destaca a Repórter Brasil. Filha de garimpeiro e advogada de formação, Tânia já foi presidente da Cooperativa dos Garimpeiros da Amazônia (COOGAM), com sede em Manaus (AM) e escritórios espalhados por estados da região Norte, que é suspeita de operar “garimpo fantasma” no Pará e tem multa ambiental de R$ 3 milhões. Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tânia declarou patrimônio de R$ 2,48 milhões — o principal bem é uma draga de garimpo avaliada em R$ 2 milhões.

    • eleições
    • IBAMA
    • multas ambientais

    Continue lendo

    Em foco

    Além do 1,5ºC

    Aprenda mais sobre

    About Author

    Ian Mello

    Leave a Reply

    O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *