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September 23, 2026
Clima

Secretário-geral da ONU acusa petrolíferas de transformarem atmosfera em “esgoto a céu aberto” – ClimaInfo

  • Setembro 23, 2026
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Secretário-geral da ONU acusa petrolíferas de transformarem atmosfera em “esgoto a céu aberto” – ClimaInfo

22 de setembro de 2026

antónio guterres climate week
UN Photo/Loey Felipe

Resumo

  • Crítica ao Big Oil: em seu último discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU como secretário-geral, António Guterres acusou as grandes petrolíferas de tratar a atmosfera “como um esgoto a céu aberto” e de lucrar com isso, citando quase meio trilhão de dólares em lucros das cinco maiores empresas ocidentais desde a invasão da Ucrânia. Pediu também que os governos adotem planos nacionais de transição para longe dos combustíveis fósseis, alinhados à meta de 1,5°C do Acordo de Paris.
  • Clima é um dos quatro desafios globais: Guterres apontou a crise climática, a segurança coletiva, a desigualdade socioeconômica e a inteligência artificial como os principais desafios de poder que moldarão o futuro da humanidade, alertando que a fragmentação geopolítica e o unilateralismo enfraquecem o multilateralismo justamente quando essas ameaças se intensificam.
  • Balanço e esperança: em entrevista ao Guardian, Guterres reconheceu falhas da ONU em construir alianças além da política tradicional, mas destacou a aceleração das energias renováveis — impulsionada, inclusive, pela crise no Golfo Pérsico — como motivo de otimismo diante da urgência climática.
  • Em seu último discurso de abertura de uma Assembleia Geral da ONU, o secretário-geral da entidade, António Guterres, foi fiel ao que se tornou sua marca ao longo de uma década no cargo. Mais do que chefe das Nações Unidas, o ex-premiê português foi um porta-voz de uma consciência crítica sobre a atuação da entidade e de seus integrantes mais poderosos, especialmente em temas como as mudanças climáticas.

    Na 3ª feira (22/9), Guterres não mediu palavras para apontar o dedo para os principais beneficiários da crise climática: a indústria de combustíveis fósseis. “Durante décadas, as grandes empresas petrolíferas trataram a atmosfera como um esgoto a céu aberto e lucraram com as consequências. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, as cinco maiores empresas petrolíferas ocidentais embolsaram quase meio trilhão de dólares em lucros”, disse.

    Para Guterres, é crucial que os países avancem na transição energética e no fim da dependência dos combustíveis fósseis para conter a ganância do Big Oil. “Hoje, apelo a todos os governos para que adotem um plano nacional de transição para longe dos combustíveis fósseis, alinhado com o objetivo de limitar o aquecimento a 1,5°C, com cronogramas claros e proteção para os trabalhadores e comunidades afetadas”, destacou.

    A crise climática é um dos quatro desafios de poder que devem moldar o futuro da humanidade, segundo Guterres, ao lado de segurança coletiva, desigualdade socioeconômica e inteligência artificial. A fragmentação geopolítica, impulsionada pelo unilateralismo das grandes potências, está enfraquecendo o multilateralismo e dificultando a construção e a implementação de soluções coletivas para os problemas comuns da humanidade, ressaltou.

    “As divisões geopolíticas se aprofundaram. As desigualdades se intensificaram. A confiança se desgastou. A crise climática deixou de ser um alerta distante para se tornar uma realidade cotidiana. E a inteligência artificial avançou a uma velocidade que pegou de surpresa até mesmo aqueles que a criaram”, pontuou Guterres. “No exato momento em que a humanidade enfrenta uma convergência sem precedentes de ameaças, nossos mecanismos de ação coletiva encontram-se sob crescente pressão.”

    Em entrevista ao Guardian, Guterres reforçou seus alertas sobre a crise climática, ressaltando que a ONU tem a obrigação de colocar o clima no centro das preocupações da comunidade internacional, pois é a ameaça existencial global mais relevante. Também reconheceu que faltou à ONU buscar alianças sólidas fora do espectro político tradicional, como organizações de base e governos subnacionais e locais.

    “Existem interesses estabelecidos que desejam manter o atual modelo de desenvolvimento baseado em combustíveis fósseis. Mas a maioria das pessoas ainda não internalizou o nível de risco que todos enfrentamos. Espero que a opinião pública se impressione cada vez mais com os impactos devastadores das mudanças climáticas e com os desastres se tornando cada vez mais dramáticos”, afirmou.

    Guterres ressaltou que o avanço de fontes renováveis de energia tem sido cada vez mais acelerado, apesar da velocidade dessa transição ainda ser insuficiente. “É evidente que não estamos fazendo o suficiente. Mas estamos desenvolvendo energia renovável a uma velocidade enorme. A crise no Golfo [Pérsico] vai acelerar essa tendência, porque muitas das economias emergentes que são as maiores emissoras são importadoras líquidas de combustíveis fósseis e têm interesse direto no desenvolvimento de energias renováveis”, concluiu.

    AFP, AP, Bloomberg, Guardian e New York Times, entre outros, repercutiram o último discurso de Guterres como secretário-geral da ONU na abertura da Assembleia Geral.

    • António Guterres
    • combustíveis fósseis
    • ONU
    • transição energética

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