Conheça espécie de peixe elétrico suspeita de causar morte no TO | G1
Na região do Bico do Papagaio, um agricultor de 54 anos morreu após se envolver em acidente com descarga elétrica em um açude. A suspeita é de que o choque tenha sido causado por um peixe Poraquê. Popularmente chamado de enguia-elétrica, a espécie vive em água doce e não possui escamas.
O biólogo Hugo Buratti explicou ao g1 que o nível de potência elétrica do animal pode variar entre 300 e 860 volts. Segundo ele, a descarga não funciona como uma corrente elétrica contínua, mas sim como rápidos “pulsos elétricos” de milissegundos ou segundos, que podem ser repetitivos.
O choque não causa, por si só, a morte de humanos, mas leva a forte contração muscular e dormência no corpo.
“A descarga do peixe elétrico não causa a morte do indivíduo, mas sim, o deixa atordoado. O que pode resultar na morte por afogamento e não pela descarga elétrica em si”, explicou o especialista.

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Diversas espécies no Brasil
São cerca de 250 espécies de peixes elétricos registrados até o momento. Na região norte do Brasil, o poraquê é comum nos rios da Amazônia e pode chegar a 2,5 metros de comprimento, sendo considerada a maior de todas.
Segundo Hugo, comparado com as outras espécies, o peixe é capaz de produzir a maior voltagem.
Do tupi antigo “porakê”, o nome da espécie significa “o que faz dormir” ou “o que entorpece”, em referência aos efeitos que as descargas elétricas causam.
“O tamanho do peixe não altera a capacidade de sua descarga elétrica. O nível de capacidade da voltagem varia de acordo com a espécie e a necessidade do peixe”, conta o biólogo.
O especialista afirma que a eletricidade é utilizada pelo animal para a defesa contra predadores, captura de presas, localização e orientação em águas com pouca visibilidade, e para a comunicação e percepção do ambiente. E ressalta que o uso de botas e outras proteções, não necessariamente protege pessoas contra a descarga do peixe, pois a eletricidade circula pelas águas.
“A descarga acontece através da água e do corpo, e dentro da água existe o risco de a corrente encontrar outros caminhos para o corpo”, finaliza.
Apesar das descargas elétricas não causarem a morte, o biólogo alerta para alguns cuidados a serem tomados. A principal orientação é que regiões, conhecidas por abrigar a espécie, sejam evitadas.
- Evite entrar em água turva, muito profunda ou com correnteza forte;
- Não entre desacompanhado;
- Evite acessar rios próximos a troncos, galhadas, pedras ou vegetação muito fechada;
- Evite mexer em tocas, margens ou vegetação submersa;
- Crianças devem permanecer acompanhadas e sob supervisão.









