Mais de 171 milhões de estudantes tiveram aulas interrompidas por eventos climáticos em 2025, mostra UNICEF – ClimaInfo
Mais de 171 milhões de estudantes da pré-escola ao ensino médio em todo o mundo tiveram sua aprendizagem interrompida por desastres climáticos no ano passado. Isso significa que um em cada 10 estudantes do planeta nessa faixa de educação foi afetado por eventos extremos.
É o que mostra o relatório “Aprendizagem interrompida: panorama global das interrupções escolares relacionadas ao clima em 2025”, publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na 5ª feira (10/9). O documento analisa dados de 106 países ou territórios.
Segundo o relatório, os desastres climáticos provocaram suspensão de aulas, danos a escolas, transição para o ensino remoto, redução do tempo letivo, diminuição da frequência escolar e aumento do risco de evasão para milhões de estudantes. As tempestades foram a principal causa de interrupções, afetando 109 milhões de alunos, enquanto as inundações e as ondas de calor afetaram 70 milhões e 50 milhões de crianças, respectivamente, detalha o DevDiscourse.
Meninas correm maior risco de abandonar os estudos quando desastres climáticos interrompem ou fecham escolas, destaca o UNICEF. Danos a escolas e instalações sanitárias, deslocamento e perda de renda familiar podem impor responsabilidades adicionais de cuidado e coleta de água às meninas. Essas pressões também podem aumentar o risco de casamento infantil, dificultando o retorno delas às aulas.
O relatório mostra que estudantes de todas as classes sociais foram afetados por interrupções, mas três quartos dos afetados vivem em países de baixa e média-baixa renda. São nações onde os sistemas educacionais muitas vezes não têm os recursos para garantir a aprendizagem durante emergências relacionadas ao clima.
Perdas de aprendizagem e maiores taxas de abandono escolar podem reduzir a produtividade da força de trabalho, desacelerar o crescimento econômico e dificultar a redução da pobreza nos países, reforça o UNICEF. A análise constata que a inação pode resultar em uma perda potencial de pelo menos US$ 200 bilhões (pouco mais de R$ 1 trilhão) em ganhos ao longo da vida para estudantes que sofreram interrupções escolares relacionadas ao clima em 2025.
O depoimento de Taudibura Garo, de 16 anos, da Papua-Nova Guiné, escancara o drama humano por trás dos números. “Minha escola fica bem ao lado de um riacho, e quando há enchente, a água sobe e invade a escola”, disse. “Normalmente, a água chega até os nossos joelhos e alaga os banheiros, então fica insalubre para nós ficarmos na escola e perdemos as aulas que deveríamos ter.”
Al Jazeera e Business Green também repercutiram o relatório do UNICEF.








